Pesquisa realizada por empresários do setor diz que 50% dos estudantes não tem como arcar com mensalidades |
Da Reuters
O setor de ensino superior privado está reforçando ações para garantir mais recursos ao financiamento de estudantes junto ao governo federal, de olho na formatação de novas regras para o programa Fies a partir do próximo ano que estão sendo preparadas em um ambiente de restrição orçamentária.
A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) divulgou nesta quarta-feira pesquisa com 1.000 pessoas de 18 a 30 anos em que espera usar como munição para convencer o governo federal a investir mais em educação.
A pesquisa, a primeira de uma série que a entidade está preparando sobre o setor, afirma que mais de 50% dos jovens não têm condições de arcar com mensalidades e que 91% esperam que o governo aumente recursos do fundo de financiamento estudantil, o Fies.
“Vamos encaminhar os resultados da pesquisa para o presidente (interino Michel Temer), para o Ministério da Educação e parlamentares de todo o Brasil”, afirmou o presidente da Abmes, Janguiê Diniz, também presidente da Ser Educacional. “O governo não pode restringir ou cortar orçamento na área educacional, que é o motor do desenvolvimento do país”, acrescentou.
A pesquisa foi divulgada depois que Temer anunciou em meados de junho abertura de 75 mil vagas para o Fies no segundo semestre, após oferta de 250 mil na primeira metade do ano, das quais 115 mil não foram preenchidas.
Segundo a pesquisa da Abmes, realizada em parceria com o Instituto MDA, de Minas Gerais, cerca de 30% dos entrevistados gostariam de cursar Medicina, Direito ou Engenharias, enquanto a prioridade de alocação de recursos do Fies é para vagas de medicina e engenharias.
“Tem quantidade significativa de jovens que não está conseguindo financiamento para estudar o que quer”, disse Diniz.
Segundo ele, as 75 mil vagas anunciadas pelo governo para o segundo semestre não são suficientes para as necessidades da população e para ajudar o país a cumprir as metas do Plano Nacional de Educação.
Um dos objetivos do PNE, em que o financiamento federal é tido como importante alavanca, é elevar a taxa bruta de matrícula no ensino superior até 2024 para 50% da população de 18 a 24 anos.
“Se tiver 200 mil vagas de Fies por ano, em 2024 vamos atingir apenas 23%”, disse Diniz, acrescentando que apenas 17 por cento dos jovens do país estão cursando universidade atualmente.
Na semana passada, o ministro da Educação, Mendonça Filho, afirmou que o governo Temer tem interesse em ampliar a oferta de vagas do Fies em 2017 e que a formatação do programa para o próximo ano está sendo discutida junto a bancos e instituições financeiras privadas para garantir sua sustentabilidade no médio e longo prazo.
Chamado pelo ministro de “Fies Turbo”, o plano teria como objetivo oferecer pelo menos 220 mil vagas de Fies em 2017.
*EBC








