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Analista explica crescimento das exportações de carne bovina do Brasil para os EUA

Volume aumentou em mais de 100% no primeiro semestre deste ano

redacao Por redacao
08/07/2021 - 13:37
em Economia
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possíveis consequências do interesse norte-americano na carne nacional para a cadeia produtiva do bovino no Brasil.

Trabalhadores na fábrica de carne bovina da JBS (Foto: Paulo Whitaker - Reuters)

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As exportações de carne bovina do Brasil, somando o produto in natura e o processado, fecharam o primeiro semestre de 2021 com queda de 3,2%, a 880 mil toneladas, anunciou na terça-feira a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

Ainda assim, Abrafrigo registrou aumento de 4,4% na receita de janeiro a junho, com uma movimentação de 880.007 toneladas e receitas de US$ 4,084 bilhões (aproximadamente R$ 21,46 bilhões).

No semestre, a China importou 519.022 toneladas, com receita de US$ 2,412 bilhões (RS 12,67 bilhões), o que representa 58,9% do total movimentado pelo país.

No ano passado, no mesmo período, a movimentação era quase a mesma: 518.925 toneladas, com receita de US$ 2,358 bilhões ou 57,1% do total exportado pelo Brasil. Esse volume chinês é muito parecido com o do ano passado, quando Brasil exportou 518.925 toneladas para Pequim.

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A grande novidade no balanço do semestre foi o volume de exportações para os EUA. As exportações de carne bovina para o país cresceram 111,3%. De 20.108 toneladas nos primeiros seis meses de 2020 para 42.482 toneladas no primeiro semestre deste ano.

Esse crescimento catapultou os EUA para o segundo lugar entre principais compradores de carne bovina brasileira.

Para entender melhor esse crescimento no interesse norte-americano na carne nacional e as consequências para os frigoríficos brasileiros, a Sputnik Brasil conversou com Augusto Carneiro, especialista em mercado de carne bovina e trader da empresa Sudambeef.

Crescimento abrupto
Augusto Carneiro afirma que a subida no volume de exportações para os EUA não é totalmente surpreendente e explica as razões para o crescimento repentino.

“Fiquei surpreso com a força desse crescimento, com o percentual … [Mas] não é um crescimento que já vem de um mercado importante, com muito volume. É um mercado que sai quase do zero”, comenta. Acrescentando que o Brasil recomeçou a exportar para os EUA recentemente, com poucas plantas aprovadas, por isso o grande crescimento incide em um volume que “era praticamente insignificante”.

Esse interesse dos EUA na carne bovina brasileira é explicado em parte pelo fato de a China ter começado a importar mais carne norte-americana depois que Pequim proibiu a importação de carne de vaca das grandes empresas australianas, citando preocupações de segurança.

“[Os EUA] são grandes produtores, são grandes exportadores, mas quando você exporta muito, abre também uma fatia do mercado para importar e suprir alguma eventual necessidade que tenha em um mercado interno grande como é o mercado norte-americano. E aí entra justamente a carne brasileira, principalmente de corte dianteiro”, contextualiza o especialista.

Augusto Carneiro explica que o corte dianteiro não é nobre, não é para consumo de formato in natura, para fazer um bife ou cozinhar. “É tradicionalmente para industrializar, para fazer hambúrguer”, explica, acrescentando que o brasileiro não é um grande consumidor desse corte, mas garante que a qualidade é também boa e que essa nova demanda pode ser um bom momento para os frigoríficos nacionais.

Oportunidade para a cadeia brasileira
O trader da Sudambeef vê com bons olhos o interesse dos EUA na nossa carne bovina, mas faz uma ressalva sobre a aprovação dos frigoríficos por Washington, destacando que é necessário que o Brasil tenha uma abertura para várias plantas produtoras.

“Dependendo de como for a abertura de plantas brasileiras para os EUA, isso será benéfico. Se a gente tiver, por exemplo, vários grupos frigoríficos, várias empresas aprovadas pelos EUA, vai ser uma coisa bem bacana para a cadeia do Brasil como um todo. Agora, se ficar na mão de poucos, aí desestrutura a cadeia produtiva do bovino no Brasil.”

O especialista esclarece que, caso as plantas aprovadas fiquem concentradas em poucos frigoríficos, como JBS, Marfrig e Minerva Foods, que já estão se beneficiando do boom porque todas possuem plantas aprovadas para embarcar para os EUA, muitos frigoríficos podem vir a fechar as portas.

“É vantajoso sim, vejo com bons olhos, mas com essa ressalva que a gente tem que ter atenção para essa questão interna porque se for só para poucos nós vamos desestruturar até a questão do emprego no setor dos frigoríficos do Brasil […]. Se a carne é brasileira, deve-se dar a devida atenção a todos os frigoríficos que estão na área de carne do Brasil e não deve ter critério político de selecionar somente alguns em detrimento de outros. Se a planta tem condição, se tem estrutura, se cumpre com os requisitos técnicos, ela deve ser aprovada como qualquer outra”, conclui.

China e Rússia
Augusto Carneiro destaca que, apesar do crescente interesse de Pequim na carne de Washington, a China segue com uma abertura muito grande para a carne brasileira, um mercado que cresceu muito para o Brasil nos últimos anos. Além disso, diferentemente da situação atual que temos com os EUA, o Brasil possui vários frigoríficos aprovados por Pequim.

O especialista afirma ainda que a relação EUA-China é cheia de altos e baixos e que agora o governo chinês “entendeu que cabe uma abertura para a carne norte-americana” e que existe a “questão política também, de fazer uma concessão, para, obviamente, colher alguns benefícios disso.” Mas ressalta que o Brasil tem uma vantagem competitiva: a carga tributária de importação da carne norte-americana na China é muito superior à carga tributária aplicada a uma carne de origem brasileira.

Augusto Carneiro encerra comentando o cenário das exportações de carne bovina para a Rússia, que caiu cerca de 80% nos últimos dez anos.

“Em termos de presente e futuro, eu acho que nós não devemos ter um reaquecimento no comércio de carne bovina do Brasil para a Rússia […] houve um crescimento bastante considerável de produção de carne de frango e suíno [na Rússia] e o perfil do consumo russo está muito mais voltado para produtos industrializados, como salame e fiambre, do que uma peça de carne in natura, um bife não é tão popular. E nessa linha de produtos, o produtor industrial pode usar frangos, suínos, não necessariamente só a carne bovina”, comenta.

O especialista acrescenta que o custo do suíno e do frango é mais baixo por causa da produção local e que a Rússia começou uma produção local de bovino, fazendo com que não haja mais tanta necessidade de importação.

“E, em paralelo, o Brasil encontrou a China. De forma que o Brasil não está tão dependente do mercado russo como comprador, como era antes, e a Federação da Rússia também não está em posição de tanta dependência de importar a carne brasileira como era antes. Quando não se tem necessidade grande nem de um lado nem de outro, não vejo razão para que, de repente, o mercado exploda em volume outra vez”, diz Augusto Carneiro.

As informações são da Sputnik Brasil.

Tags: #Carne bovina#Exportação de Carne#Exportações
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