Seyed Ebrahim Raisi é um membro do poder judiciário da República Islâmica do Irã, um ultraconservador e alinhado ao Aiatolá Ali Khamenei. Ele tornou-se presidente com 61,95% dos votos na eleição que contou com participação massiva da população persa na última semana.
O resultado é um duro recado ao bloqueio econômico imposto pelos EUA, após uma ruptura unilateral e intempestiva do então presidente Donald Trump com o acordo nuclear que estava em vigor.
O acordo estabeleceu que o Irã manteria o enriquecimento de urânio sob controle, se comprometendo a não desenvolver armas nucleares. Em contrapartida, o país foi reinserido no sistema de comércio internacional, tudo negociando pela diplomacia do governo Barack Obama, até que Trump implodiu tudo.
O acordo sempre foi alvo de denúncias por parte do governo de Israel, mesmo com as autoridades iranianas afirmando que o programa nuclear do país se restringe a diversificação de matriz energética. Atualmente uma negociação está em curso para a retomada do acordo.
O PESO DAS ELEIÇÕES
A participação massiva do eleitorado e a vitória de um ultraconservador demonstra que o bloqueio econômico fortaleceu o governo iraniano e acentuou um sentimento antiocidental entre a população do país. Um efeito inesperado para o ocidente, que ansiava por uma sublevação interna decorrente das restrições econômicas e sociais impostas pelo bloqueio.
O que na verdade se produziu foi um efeito colateral. Mesmo diante do bloqueio, a indústria do país conquistou autossuficiência em vários setores, como no segmento bélico e tecnológico, além de conduzir o governo persa para uma aliança estratégica com Rússia e China.
REVÉS NA OCUPAÇÃO SÍRIA
Mas a vitória de um ultraconservador no Irã não é o único revés aos interesses de Washington no Oriente Médio. Recentemente o presidente da Síria, Bashar al-Assad, outro adversário do governo norte-americano, foi reeleito com 95% dos votos, em um pleito que também contou com a participação massiva (78%) dos eleitores sírios.

Aqui vai um outro dilema. Os EUA ocupam uma parte do território da Síria, sem autorização do país, a pretexto de combater células do Estado Islâmico. Contudo, essas forças de ocupação controlam poços de petróleo e gás. O governo da Síria denuncia constantemente o roupo de petróleo e trigo do país para venda no mercado negro.
As denúncias estão fundamentadas com várias imagens de carregamentos sendo transportados do país em caminhões do governo dos EUA.
Há um novo cenário desenhado com o resultado das eleições no Irã e na Síria. A vitória de Ebrahim Raisi e de Assad devem consolidar a aliança do Irã com a Síria, e promover uma maior presença da Rússia e da China no Oriente Médio, justamente no momento em que as forças de ocupação dos EUA são forçadas a deixar o Iraque e enfrentam forte resistência da população na Síria.
A nova conjuntura também aciona o sinal de alerta em Israel, país que mantém uma política de ocupação e beligerância contra os vizinhos palestinos e a própria Síria, uma doutrina que inclui aliança com grupos terroristas e, além de ameaças e sabotagens contra o programa nuclear iraniano.
A doutrina de Israel, por sinal, já consumou assassinatos de cientistas iranianos, estratégia que deverá receber respostas mais duras do Irã, saindo do nível da retórica para um plano mais prático.








