Agência Internacional de Energia prevê uma estabilização no patamar de US$ 50 no mercado internacional
Da redação
A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) estima que cerca de 60% da produção energética mundial advenha do petróleo. Assim, considerando que o nível de consumo de um país está diretamente relacionado ao seu poderio econômico, há quem diga que quanto mais desenvolvido for um Estado, mais dependente do petróleo ele se tornará, principalmente porque o recurso não é somente utilizado como combustível.
Esta fonte energética tem sofrido alterações constantes no preço do barril, que já chegou a custar US$ 115,71 no primeiro semestre de 2014 e agora não consegue superar a marca dos US$ 50. Só na semana que se encerrou, o barril do tipo Brent para ser entregue em setembro custou US$ 50,10, na segunda-feira (04/07), e abriu a última sexta-feira (08/07) ao valor de US$ 46,86, depois de oscilar entre US$ 47,96 e US$ 49,55.
Para o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Rafael Schiozer, o atual patamar de preços favorece os países-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), principalmente os árabes. “Eles têm um custo de produção bastante razoável, e esse preço para uma fonte de energia fica bastante competitivo”, comentou.
Já para os países que não fazem parte do grupo, como o Brasil, vender barril de petróleo na faixa dos US$ 50 é um risco. “Ainda é razoável para o Brasil, mas se baixar para US$ 35 ou US$ 30, os projetos da Petrobras começam a sofrer, ao passo que os países árabes podem aguentar até uns US$ 20”, acrescentou.
Ainda de acordo com a IEA, paralela a essa queda no preço, a produção do petróleo sofreu alguns reveses ao longo deste primeiro semestre, como incêndios florestais que interromperam as atividades no Canadá e ataques de grupos antigoverno à infraestrutura petrolífera da Nigéria.
Em relatório divulgado no dia 14 de junho, a agência aponta que a produção será retomada neste início de segundo semestre, porém em ritmo menor que a demanda, que, por sua vez, terá crescimento intensificado.
“No início do mês, a Opep forneceu alguma clareza para o mercado ao decidir não reintroduzir qualquer forma de gestão da produção. Para fins de planejamento, assumimos apenas um crescimento modesto da produção dos países-membros. Assim, admitindo que não há mais surpresas, no segundo semestre, esperamos que o mercado de petróleo seja equilibrado”, diz o texto.
Schiozer acredita que os preços deverão continuar na faixa dos US$ 50 por alguns meses. “Eu não vejo nenhum fator estruturante nem na demanda nem na oferta que possa modificar o preço. Agora pode ocorrer alguma guerra importante, e aí nós vamos ter efeito na produção e na demanda do petróleo, mas com as previsões que a gente tem hoje não tem grandesoscilações de alta ou baixa”, disse.
Para o professor especialista em petróleo e gás Wellington Santos, “vai haver um momento em que o preço vai subir, mas eu acho que não haverá mais queda. Eu acho que há uma estabilização no mercado agora, embora a gente não entenda a cabeça desses caras (grandes produtores)”, comentou.
Segundo a agência, o excesso de oferta em relação à demanda no primeiro semestre foi de 0,8 mb/d, apesar da previsão em janeiro ter apontado 1,5 mb/d. E isso se deu por causa de algumas interrupções na produção no Canadá e na Nigéria. Além disso, a demanda aumentou mais forte do que o esperado, com crescimento de 1,6 mb/d no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. Neste caso, a previsão era de 1,2 mb/d.
Os países que mais se destacaram no aumento da demanda foram Índia e Estados Unidos. Apesar disso, a IEA prevê a retomada da produção nos próximos meses e um equilíbrio do mercado ao fim do terceiro trimestre, com demanda e oferta crescendo no mesmo ritmo.
*Da Folha de Pernambuco








