Após um policial tirar uma selfie com reféns de Lázaro Barbosa, o especialista em segurança e autor do filme “Tropa de Elite”, Rodrigo Pimentel criticou a atitude do agente. Na foto, é possível ver que a família está escondida entre pedras e em meio ao córrego e que outro policial está com a arma em punho, em Cocalzinho de Goiás.
“Os profissionais de tropa de elite não se preocupam em aparecer”, disse em entrevista à TV Anhanguera.
A TV Anhanguera entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) questionando a atitude do policial por mensagem enviada às 17h, desta quinta-feira (17), mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Um vídeo mostra o resgate do casal e da adolescente de 16 anos que foram feitos reféns, na última terça-feira (15), pelo criminoso (veja abaixo). As buscas por Lázaro estão no 9ª dia e tem uma força-tarefa com mais de 200 agentes.
A gravação mostra família já com os policiais dentro de um rio. Em seguida, vários tiros são disparados e os agentes começam a correr para retirar os moradores do local.
“As vítimas estão bem, três vítimas. [Tiros são disparados]. Se abriga, se abriga. Sai do rio. Polícia, polícia. Tem que tirar a família daqui. Vamos dar apoio para tirar as vítimas”, gritam os policiais.
Pedido por socorro
De acordo com a polícia, ao ver o criminoso, a adolescente conseguiu se esconder no quarto e enviar uma mensagem à corporação, o que fez com que fossem resgatados sem ferimentos.
“Socorro, Lázaro está aqui em casa”, diz o texto enviado pouco antes de ser levada para o mato.
Segundo o irmão da adolescente, após receber a mensagem, o policial teria ligado para o celular dela, momento em que Lázaro ouviu e a encontrou.
“A Polícia ligou para [adolescente]. Aí o cara escutou e já arrancou ela debaixo da cama”, disse o irmão em áudio obtido pela TV Anhanguera.
O membro do Conselho do Fórum Brasileiro de Segurança Pública Cássio Thyone também criticou a atitude do policial de fazer a ligação à vítima.
“Talvez, a pessoa que recebeu a mensagem não tivesse sequer a preocupação de se colocar no lugar de quem enviou a mensagem e se questionar como está a pessoa. Ele optou por ligar porque a gente sabe que a resposta é quase imediata. Às vezes, infelizmente, a decisão acaba sendo empírica de tentativa ou erro”, disse.
O pesquisador de segurança pública da Fundação Getulio Vargas (FGV) Raphael Alcadipani destacou que a mobilização das forças policiais é necessária, mesmo sendo apenas um alvo.
‘É uma situação muito difícil. É uma pessoa que claramente quer confrontar as forças de segurança. A gente está falando de um bandido perigoso e em uma região de difícil acesso e locomoção”, disse.
O especialista reforçou ainda a importância de ter um comando técnico unificado e a troca de informações entre as forças policiais.
“Quando a gente começa a chegar nesse tipo de situação em que o criminoso está se evadindo há bastante tempo e é um caso de grande repercussão, todo mundo quer prender. Por isso, é importante que tenha um comandante único que tenha acesso à todas as informações para que ele distribua as suas tropas”, finalizou.
As informações são do G1.








