Uma moradora do Complexo do Lins que estava no momento em que a jovem Kathlen Romeu, de 24 anos, foi morta, afirmou que os disparos partiram de um policial.
A testemunha prefere não ser identificada por medo de represália dos agentes da UPP do Lins, mas contou que não havia no momento da morte nenhum confronto entre policiais e bandidos, diferente da versão oficial divulgada até o momento.
“Eu estava na hora exata, eles (os policiais) já estavam escondidos dentro da comunidade desde as 6h da manhã. Não havia confronto, o que tinha eram as crianças e moradores circulando pela favela”, afirmou a testemunha ao Yahoo Notícias.
Ela contou também que viu quando Kathlen e sua avó estavam descendo a rua da comunidade e, ainda segundo ela, pararam para combinar com um rapaz também morador do local de subir com as compras do mercado que iam fazer na sequência.
“Quando elas seguiram em frente, os policiais desceram do carro já atirando. Não houve troca de tiros, outras pessoas só não foram atingidas também porque Deus não permitiu. Só depois que ela foi baleada que os agentes perceberam o que tinham feito, chamaram reforço e colocaram a Kathlen na viatura, mas não queriam que a avó fosse junto no carro”, contou a moradora.
Versão da madrinha é confirmada por testemunha
A testemunha também confirmou a versão da madrinha de Kathlen, segundo a familiar a PM teria voltado ao local do crime para retirar as cápsulas de balas.
“Eles voltaram com o caveirão e acuaram as pessoas que estavam em um bar próximo ao ocorrido, eles estavam atrás das cápsulas. Os policiais ficaram perguntando para as pessoas onde que a menina tinha sido baleada, mas ninguém respondeu. Depois disso começaram a xingar as mulheres que estavam por perto chamando elas de e ‘puta’ e ‘piranha’ e mandando que todo mundo fosse para casa”, relatou a testemunha.
Questionada sobre as acusações feitas pela testemunha e pela madrinha de Kathlen, a PM-RJ que “neste momento o caso que resultou na morte da jovem Katleen é alvo de investigação tanto pela DH quanto pela Corregedoria da Polícia Militar”.
Protesto pedirá Justiça após morte de Kathlen
Foi convocado para hoje (9) um ato para pedir justiça pela morte. A manifestação ocorre às 16h na Rua Lins de Vasconcelos, na comunidade de mesmo nome, onde a jovem foi assassinada.
A deputada Dani Monteiro (PSOL), que também preside a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) convocou os atos em suas redes sociais e afirmou que “o que aconteceu com Kathlen é o sintoma de uma política de segurança pública que serve ao objetivo de deteriorar corpos negros”.
Quase 700 mulheres foram baleadas desde 2017 na Região Metropolitana do RJ
Quase 700 mulheres foram baleadas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro de 2017 até este ano. O levantamento consta na plataforma de dados Fogo Cruzado, e contabiliza tanto as vítimas baleadas em operação quanto as de homicídios.
Ao todo, foram 681 mulheres atingidas por disparos de arma de fogo, das quais 258 morreram. De 2017 para cá, 15 vítimas baleadas estavam grávidas; oito morreram.
“Rio precisa parar com a caça de pessoas negras nas favelas”, afirma Ouvidoria Pública
A Ouvidoria do Estado do Rio de Janeiro já está em contato com a rede de acolhimento da família de Kathlen. Segundo informações do órgão, os familiares de Kathlen foram até o IML esta manhã acompanhados por representantes da OAB-RJ. O ouvidor da Defensoria Pública, Guilherme Pimentel, afirmou que a família da vítima está atordoada.
“Este é um momento difícil em que eles precisam lidar com os trâmites legais depois do dia caótico de ontem. A comissão de direitos humanos vai atuar em parceria com a OAB para garantir que a família seja acolhida e receba todo o atendimento jurídico e psicossocial que precisarem”, afirmou Pimentel.
As informações são do Yahoo.








