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País fechou 7,8 milhões de postos de trabalho em um ano de pandemia

redacao Por redacao
30/04/2021 - 14:02
em Política
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Desemprego recorde no Brasil

Taxa de desemprego subiu para 14,4% em fevereiro (Foto: Amanda Perobelli - Reuters)

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Em um ano de pandemia, o Brasil fechou 7,8 milhões de postos de trabalho. É o que mostram os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) do IBGE, divulgada nesta sexta-feira.

No trimestre encerrado em fevereiro, a taxa de desemprego no Brasil chegou a 14,4%. Com o resultado, o país tem 14,4 milhões de pessoas na fila por uma vaga, o maior contingente desde o início da série histórica, iniciada em 2012.

Em fevereiro do ano passado, antes da pandemia, a taxa estava em 11,6%.

Já no trimestre imediatamente anterior – encerrado em novembro – a taxa estava 14,1%, o que representa estabilidade, segundo o IBGE, pois a variação é considerada pequena. Houve um incremento de 400 mil pessoas à população desocupada nos últimos três meses.

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— Houve uma pressão maior sobre o mercado de trabalho sem que haja geração de emprego suficiente para dar conta disso. A população ocupada havia crescido 2% em janeiro. Chega fevereiro e a ocupação não cresce mais — diz Adriana Beringuy, analista do IBGE que acompanha as estatísticas de emprego do país.

Os dados da Pnad trazem números tanto do mercado formal como do informal e são trimestrais, não mensais. Já o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, cujos dados de março mostraram a criação de 184,1 mil vagas, considera apenas o saldo de vagas dos trabalhadores com carteira de trabalho assinada.

Mas especialistas vêm questionando os números do Caged desde que a metodologia da série foi alterada no ano passado.

Recorde de desalentados
A pesquisa revela um efeito devastador da pandemia sobre o mercado de trabalho, com todos os indicadores de geração de vagas em queda em relação ao período pré-Covid. Os empregados com e sem carteira assinada tiveram baixa, assim como os que trabalham por conta própria.

A maior baixa foi entre os informais. Houve queda de 15,9% no número de trabalhadores sem carteira, ou menos 1,8 milhão de pessoas frente a igual trimestre de 2020.

No mercado formal, a queda foi um pouco menor em termos percentuais e quase o dobro em valores absolutos: são 3,9 milhões de pessoas com carteira a menos do que um ano antes, retração de 11,7%.

O contingente de trabalhadores que não procuraram uma vaga, mas estavam disponíveis e gostariam de trabalhar, se encontra em nível elevado. São mais de 11,3 milhões na força de trabalho potencial.

E o desalento, quando o brasileiro desiste de procurar emprego, foi recorde e atingiu 6 milhões, o maior patamar da série. Beringuy chama atenção para o fato de ser um indicador que vem subindo desde o ano passado:

— É uma população que não para de crescer. A força potencial até cedeu, mas o desalento não. Quando, além da questão estrutural, há um agravamento da conjuntura econômica, é natural que esse indicador cresça — diz.

Taxa de desemprego pode chegar a 15%
Especialistas estimam que as novas restrições impostas pelo agravamento da pandemia nos meses de março e abril tendem a dificultar a retomada do mercado de trabalho e a diminuir o número de pessoas em busca de uma vaga.

Além disso, a demora até a publicação de medidas emergenciais do governo, como a reedição da MP 936, tende a ter produzido reflexos negativos na manutenção de postos de trabalho. Setores da indústria e do comércio relataram demissões com a demora da publicação da medida.

O economista e professor da Fipecafi, Samuel Durso, avalia que a demora para o anúncio das medidas emergenciais e a vacinação a passos lentos podem fazer a taxa de desocupação chegar a 15%, um total aproximado de 15 milhões de desempregados no país, projeta:

— O mais provável é que esses benefícios sejam percebidos apenas no segundo semestre de 2021.

Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, prevê que os postos de trabalho informais devem registrar perdas em março e abril, como reflexo das medidas de distanciamento social adotadas para o enfrentamento à pandemia.

Ele aponta ainda que houve um recuo de 5,4% da força de trabalho em relação ao nível pré-pandemia. Caso essas pessoas retornassem à população economicamente ativa, a taxa de desemprego seria de 19% em fevereiro. Por isso, em meio a pandemia, projeta uma retomada gradual do mercado de trabalho:

— Embora a um ritmo moderado, esperamos que os indicadores de mercado de trabalho comecem a exibir sinais de melhoria a partir do terceiro trimestre. Mas, segundo nossos cálculos, a população ocupada total só retornará aos níveis pré-pandemia ao final de 2022. Entenda os números:

Metade dos adultos sem trabalhar
Do total de brasileiros em idade de trabalhar (ou seja, com mais de 14 anos), 48,6% estão sem emprego ou fora do mercado de trabalho. Sequer buscam uma vaga. Este indicador, chamado de nível de ocupação, está em patamar muito baixo. Antes da pandemia, a taxa ficava em torno de 55%.

Número recorde de desalentados
Ao todo, 5,95 milhões de brasileiros estão nesta situação. São os trabalhadores que estão desempregados, mas nem procuraram vaga na semana da pesquisa. Inclui quem se acha muito jovem, muito idoso, pouco experiente, sem qualificação ou acredita que não encontrará oportunidade no local onde reside. Ou ainda não tem dinheiro para pagar a passagem e procurar uma vaga.

32,6 milhões com potencial subutilizado
Quase 30% dos brasileiros estão desempregados, trabalhando menos do que gostariam, desalentados ou na força de trabalho potencial (quando a pessoa está desempregada, mas não procurou vaga ou não pode trabalhar por algum motivo qualquer).

6,89 milhões trabalhando menos do que gostariam
São trabalhadores subocupados, que fizeram algum tipo de trabalho, mas que dedicaram menos de 40 horas semanais a isso e gostariam de trabalhar por um período maior. Um profissional freelancer ou alguém que faça bicos e não está conseguindo muitos serviços se encaixa nessa situação.

11,3 milhões na força de trabalho potencial
Se encaixa nesta situação quem procurou uma vaga, mas, por algum motivo qualquer (como, por exemplo, cuidar de um parente doente), não estava disponível para trabalhar na semana da pesquisa do IBGE. Ou quem não procurou uma vaga, mas estava disponível para trabalhar na semana de referência.

As informações são de O Globo.

Tags: #PandemiaDesemprego
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