Aos 66 anos, não tenho mais saco de ficar lendo bobices ou discursos despeitados, ignóbeis, obsoletos ou contrários ao consenso acadêmico, quando se trata de assunto de teor de mérito, produção e titulação acadêmicos.
Depois de ter terminado o segundo grau em Mc Henry High School West Campus, em Chicago, Illinois, EUA, voltei ao Brasil e prestei vestibular para o Curso de Arquitetura e Artes, na Universidade Santa Úrsula e, tendo sido aprovado, lá estudei e terminei meu primeiro bacharelado. Nesse período trabalhei na H. Stern Joalheiros, primeiramente no setor de vendas numa loja do Pão de Açúcar e depois, já com os estudos adiantados, fui convidado a atuar no Departamento de Arquitetura, Decoração e Vitrines, onde logo fui promovido para ser Responsável pela reforma das lojas que a H. Stern tinha nos navios internacionais.
Minha responsabilidade era entrar com uma equipe reformar a loja, decorá-la e os vitrinistas arrumavam as joias, seguindo projeto pré-aprovado. Era muito feliz e adorava o cosmopolitismo do estar nos navios que chegavam. Muitas vezes seguíamos viagem até o local onde terminávamos a empreitada e voltávamos para o Rio de Janeiro de avião. Toda a equipe.
Tendo terminado a Faculdade de Arquitetura e Artes, logo fiz concurso para o Departamento de Engenharia (DENGE) do Banco do Brasil, órgão de sua Direção Geral. Tendo sido aprovado, fui designado para trabalhar no DENGE 10ª. Residência, em Campo Grande (MS), recém separada de MT. E assim fiquei no Banco do Brasil durante exatamente 5 anos, chegando até mesmo a trabalhar no 10º. Andar do prédio em Campos(RJ). Em 1982, iniciei meu Curso de Letras Português-Inglês na FAFIC (Uniflu hoje) e terminei em 1985, tempo em que trabalhei na Estilo´s, loja de móveis coloniais, em Campos dos Goytacazes.
Eu tinha meu projeto de vida muito bem estruturado na minha cabeça. Ao sair do Banco do Brasil, viajei para os EUA, Miami e Nova Iorque, onde familiarmente fiquei 6 meses para arejar meus desejos e minha mente. Valeu muito. Quando voltei, terminei o Curso de Letras, fiz uma Especialização em Literatura Brasileira do Modernismo, que foi quando conheci Lucia Helena, minha querida Supervisora do Pos-doc sênior na UFF em 2011 e grande amiga até hoje.
Terminada esta etapa, fui para Linhares, Espírito Santo, onde era Professor, no 2º grau na Escola Estadual Emir de Macedo Gomes e, nos finais de semana, cursava outra Especialização, Modelos Linguísticos, na Universidade Federal do Espírito Santo, onde mais tarde, ou seja em 1989, fui aprovado no Concurso para Professor Auxiliar de Teoria e História Literária, no Departamento de Línguas e Letras, Centro de Ciências Humanas e Naturais. Tomei posse logo e passei a ser um Docente do Curso de Letras, Português e Português-Inglês, onde inicialmente dava aulas de Linguística.
Aliás, por dois anos dei aulas de Linguística. Quando fui aprovado para o Mestrado em Letras, Teoria e História Literária, na Unicamp (era um sonho), afastei-me por 4 anos e voltei doutor, para espanto de todos, pois fiz Mestrado e Doutorado em 4 anos, numa instituição que muito exigia de seus alunos.
Pesquisas rigorosas nos eram cobradas e tive que estudar alemão e grego (tive muitas dificuldades) para completar as disciplinas de língua estrangeira (Mestrado: Inglês e Espanhol; Doutorado: Alemão e Grego). Fiz tudo rigorosamente, cumpri todos os requisitos rigorosamente e consegui o título de Doutor em Letras em 1998.
Ao voltar para Ufes, tive que preencher pela primeira vez meu Currículo Lattes, achei um saco, mas minha produção, trabalhos publicados, títulos etc. já precisavam ser registrados no Lattes. Desde aí passei a ser também docente da Pós-graduação em Letras – Estudos Literários, onde permaneci até minha aposentadoria em 2007, ministrando cursos e orientando alunos nas mais variadas questões e recortes. Meu último doutorando foi um arquiteto, professor do Centro de Artes, que desenvolveu um projeto sobre Haroldo de Campos e sua poesia.
Sorte minha ser um cosmopolitano. Fiz meu primeiro pos-doc no Harpor College of Arts, em Binghamton, University of New YorK, NY, EUA; o meu segundo pos-doc fiz no International College of Arts, Cultures and Letters, na Arizona State University, Arizona, EUA e o meu terceiro pos-doc, fiz na UFF, Niterói, sob a supervisão da Dra, Lucia Helena, quando estudei a obra de Nuno Ramos.
Fiz o concurso para titular depois do meu 3º. Pos-doc e muito me serviram os que cursei no exterior. Não se pode negar que a troca de experiências com outras cabeças, outros saberes, outras pesquisas, sejam elas em que língua forem, até na “língua do p”, nunca te deixarão “nu em aeroporto”. KKKKKKKK, ao contrário você será sempre respeitado, neste caso, não pela nudez, mas por sua produção publicada em Português e as em Língua Estrangeira.
Os órgãos de fomento apoiam o doutorado sanduiche por quê? Troca de experiência e saberes. Além disso, há de se laurear a ascensão dos Estudos Culturais no mundo todo, o que nos trouxe a ascensão de uma série oportunidades dentro da academia. Isso veio dos EUA, França, Inglaterra, etc.
Minha pesquisa “Mitografia de Madame Satã”, só está publicada em Inglês e Francês; minha pesquisa sobre a obra completa de Hilda Hilst em Português e Inglês. Não tenho nada ainda publicado na língua do p. Uma pena!!!
Recebi hoje da Universidade de Salamanca: “O Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca lança a quinta edição do concurso “Cuéntame un cuento”, com tema sobre a Ciência no Brasil. Nesta edição, contamos com a colaboração do Museu da Vida (Fiocruz, Brasil).” Nést ce pas, mes amis?








