quinta-feira, 22 outubro, 2026
Portal Viu
  •  
  • Política
  • Cidade
  • Fonte Exclusiva
  • Economia
  • Mundo
  • Opinião
  • D+News
  • Colunistas
  • Apuração Eleições 2026
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Portal Viu
  •  
  • Política
  • Cidade
  • Fonte Exclusiva
  • Economia
  • Mundo
  • Opinião
  • D+News
  • Colunistas
  • Apuração Eleições 2026
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Portal Viu
Nada encontrado
Ver todos os resultados

E aí, traiu? Capitu e a questão republicana

O possível link entre Dom Casmurro, obra de Machado de Assis, com a crescente descrença institucional no Brasil do século XIX

André Nascimento Por André Nascimento
13/03/2021 - 12:53
em Opinião
A A
Dom Casmurro - Obra de Machado de Assis

Imagem: Reprodução do Facebook

Compartilhar:

O possível romance de Capitu com Escobar é certamente uma das discussões mais curiosas da literatura brasileira, instigando instintos à la Sherlock Holmes nos jovens estudantes de literatura. Em diversos grupos literários, os leitores-detetives encontram pistas, ‘autos judiciais’, provas e contraprovas sobre a conduta sexual da possível tríade, mas em especial sobre o corpo de Capitu.

Por não ter muito interesse em romances normativos, prefiro apontar uma questão esquecida na batalha moral sobre o comportamento da protagonista: o reducionismo das escolhas, notadamente no Brasil republicano. Mais do que a paranoia com a ideia de traição, possivelmente Dom Casmurro nos alertasse sobre uma crescente descrença institucional que tomava o Brasil do século XIX. 

Se conseguimos imaginar que o casamento poderia ser uma imagem figurativa da emergente República, a suspeita da traição cria um desconforto desnecessário para a ordem democrática que conduzia o país para o século XX. É sempre válido lembrar que como parte da maré revolucionária do século XIX, o Brasil também navegava por um período de grandes transformações, notadamente desde a chegada da corte europeia em 1808, no Rio de Janeiro. 

Porém, apenas com a Proclamação da República em 1889 – dez anos antes da publicação de Dom Casmurro em 1899, o país daria um passo estrutural em direção do que costumamos chamar de democracia. 

Leia Também

Entre palcos e palanques: o meio artístico ganha protagonismo na reta final da eleição

Será que ainda acreditamos na política ou já perdemos a esperança?

De forma curiosa, os escravocratas que eram ferrenhos na luta contra a abolição, em contrapartida apoiavam o projeto republicano porque ‘sonhavam’ com uma paisagem mais democrática no futuro nacional.

Contraditório, não? Não. 

O projeto da tímida democracia republicana ainda excluía a maioria da população brasileira, tanto de participação quanto dos benefícios da cidadania, e o recém-casamento nacional com a República tinha escusas relações amorosas com a oligarquia. Temos então, uma traição republicana, uma vez em que a tão sonhada República era uma máscara em que velhas estruturas se disfarçavam de novidade política. 

A suposta agenda democrática dava às oligarquias acesso total ao Estado e aos usos de seus aparelhos para construir soluções pró-latifúndios, que respaldariam a república do Café com Leite. Lembrando que neste sistema ora governava um senhor de engenho – também chamado anteriormente de senhor de escravos, ora governava outro. 

E essa tal democracia fornecia quase nada para a massa de desvalidos ao redor do país. Uma população agora ‘livre’ para cumprir seu papel subserviente diante da República dos Latifúndios. Deixamos a escravidão e fundamos uma massa proletária extorquida e decepada no ponto de vista do direito; justamente, nos aproximando do ideal europeu, como queriam as elites. Novamente, vemos nos dias atuais a explosão do poder profético de Machado de Assis, pouca coisa parece ter mudado com as “novas” políticas.

Em termos gerais, se a monarquia como símbolo do regresso explorava as massas e insistia na escravidão, por outro lado a república oligárquica dava maior poder de decisão aos projetos dos grandes donos de terra no Brasil. 

É importante também lembrar que o projeto de abolição da escravatura, na visão liberal, tinha mais interesse na expansão do mercado consumidor do que na justiça social de uma reparação histórica. 

Em resumo, a presumida defesa dos interesses individuais estava profanada pelo interesse do grande capital e o Estado, ao invés de mediar o conflito de classes, seria a garantia institucional do privilégio das elites. 

E, por essas razões óbvias, a oligarquia como controladora dessa máquina apostava na República, já que seu poder econômico não teria a ameaça de uma monarquia que poderia mudar as regras do jogo. 

Mas, o que Dom Casmurro tem a ver com tudo isso? De novo, se podemos imaginar o romance como um jogo de espelhos em que a tensão amorosa de Capitu com o narrador anti-herói e com o seu rival/amigo bon-vivant, notamos que pouco importa com quem ela se relacione. Até porque o resultado dessa equação seria igual, mesmo se ela decidisse se relacionar com os dois ao mesmo tempo, ela estaria fadada a uma dinâmica, no mínimo, problemática. 

Mais do que uma verdade objetiva sobre as artimanhas amorosas, é possível que o texto nos convide a pensar sobre o que realmente mudaria para Capitu ao escolher entre Bento e Ezequiel. No caso da não traição, Capitu – ou o projeto nacional nos termos deste artigo, seguiria um sólido acordo matrimonial com uma monarquia representada pelo tradicionalismo débil de Bentinho. Por outro lado, a traição marcaria o flerte com um bon-vivant capitalista ilustrado pela obsessão comercial de Ezequiel Escobar. 

Resta a pergunta sobre que mudanças reais esperariam o futuro de Capitu dependendo da porta que ela decidisse abrir. Um conservadorismo monárquico que afirma que não temos direito ou uma República Oligárquica que finge que temos algum direito?

Talvez, antes de perguntar se Capitu traiu, deveríamos perguntar se ela não foi traída por ter opções afetivas tão parcas e decadentes. Talvez, o texto nos dá a função de radicalizar essas escolhas e imaginar o que seria de Capitu, caso ela tivesse alternativas de mudanças reais em seu horizonte.

Tags: #Capitu#DomCasmurro#Monarquia#Oligarquia#RepublicaBrasil
Notícia anterior

Brasil pode entrar em lockdown por pelo menos 20 dias

Próxima notícia

“Teste do bracinho”: Governador sanciona Lei de autoria de Rodrigo Bacellar 

André Nascimento

André Nascimento

Doutorando em literatura hispânica na Universidade Cornell, com ênfase em estudos latino-americanos, filosofia política, literatura contemporânea e populismo. Mestre em Literatura Brasileira e Literaturas Hispânicas pela Universidade do Novo México (EUA).

Próxima notícia
Deputado Rodrigo Bacellar

“Teste do bracinho”: Governador sanciona Lei de autoria de Rodrigo Bacellar 

Anderson e MC Maylon

Anderson do Molejo e MC Maylon ficarão frente a frente após acusação de estupro

COLUNISTAS

Entre palcos e palanques: o meio artístico ganha protagonismo na reta final da eleição

Fabrício Cabral
21/10/2026 05:09

Temperança marca a transição para outubro com mensagem de equilíbrio e renovação

Carlos Fracho
28/09/2026 05:56

Na mira do MPRJ: Ala inaugurada em 2024 no Hospital Manoel Carola nunca funcionou 

Douglas Fernandes
25/09/2026 04:20

Mentira e eleição: quando convencer vale mais que dizer a verdade

João Vicente
15/09/2026 08:44

Frederico Paes e o governo que tenta trocar espetáculo por entrega em Campos

Roberto Barbosa
07/07/2026 11:23

STF e autismo: quando a condição precisa ser visível para ser reconhecida

Karoline Barbosa
28/05/2026 09:10

Thiago Rangel mantém influência na Alerj mesmo após afastamento, aponta blog

Mathilde no Poder
14/05/2026 10:05

A história de Jacyr Barbetto em Campos dos Goytacazes-RJ (Parte II)

Leonardo Santos
01/05/2026 11:30

EDITORIAS

Brasil Canal VIU Cidade Concurso Cultura D+News Economia Esporte Fonte Exclusiva GEEK Mundo Opinião Política Saúde Tecnologia
Portal Viu
Universidade Candido MendesO

 

Notícias das cidades do Estado do Rio de Janeiro, com destaque para Macaé e Campos dos Goytacazes, além dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.

Conheça o Portal VIU!

E-mail: [email protected]

  •  
  • Política
  • Cidade
  • Fonte Exclusiva
  • Economia
  • Mundo
  • Opinião
  • D+News
  • Colunistas
  • Apuração Eleições 2026

Nada encontrado
Ver todos os resultados
  •  
  • Política
  • Cidade
  • Fonte Exclusiva
  • Economia
  • Mundo
  • Opinião
  • D+News
  • Colunistas
  • Apuração Eleições 2026

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In
Brasil inteiroVer por estado
Carregando dados oficiais do TSE…
Fonte: TSEAcompanhar apuração completa →

Add New Playlist