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Lava Jato reabre as suspeitas no caso Celso Daniel

redacao Por redacao
02/04/2016 - 01:49
em Política
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São Paulo -Fachada do jornal Diário do Grande ABC, investigado pela Operação Lava Jato (Rovena Rosa/Agência Brasil)

São Paulo -Fachada do jornal Diário do Grande ABC, investigado pela Operação Lava Jato (Rovena Rosa/Agência Brasil)

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Operação Carbono 14 prende ex-tesoureiro do PT e indica participação de Delúbio em empréstimo apontado como fraudulento |

Da redação |

O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, levado pela Polícia Federal para prestar depoimento nesta sexta-feira (1º de abril) durante a Operação Carbono 14, é suspeito de envolvimento em um empréstimo – investigado pela Operação Lava Jato – feito no Banco Schahin pelo pecuarista José Carlos Bumlai. O procurador do Ministério Público Federal Diogo Castro disse que a participação de Delúbio foi citada por três pessoas.

“Delúbio Soares foi citado por José Carlos Bumlai, Salin Schain [do Banco Schahin] e Sandro Tordin [então presidente do banco] como a pessoa que representou os interesses do Partido dos Trabalhadores no Banco Schahin para a obtenção desse empréstimo fraudulento”, disse o procurador. Segundo Castro, em cada uma das versões, Delúbio aparece com uma participação diferente, mas como alguém que estaria ciente do que estava sendo tratado.

“Salin Schahin fala que Bumlai foi acompanhado de Delúbio Soares, que explicou que aquele empréstimo tinha o apoio do partido”, disse Castro.

Na imagem acima: Fachada do jornal Diário do Grande ABC, investigado pela Operação Lava Jato | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Segundo o procurador Diogo Castro, a ação de hoje (1º) com relação a Delúbio tem o objetivo de esclarecer o envolvimento do ex-tesoureiro do PT no caso. “São três pontos independentes, que indicam que ele participou da obtenção do empréstimo no banco Schahin”.

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Na entrevista coletiva, o procurador disse que o ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira teria sido a pessoa que procurou Marcos Valério para tratar de repasses.

“As investigações apontam que Sílvio Pereira foi um dos responsáveis por toda a distribuição de cargos do início do governo federal em 2003. Nesse esquema especifico, Marcos Valério fala que Sílvio Pereira foi a pessoa que o procurou a fim de intermediar esses valores, possibilitar a transferência desses repasses. Então, Sílvio Pereira seria uma das pessoas responsáveis por arquitetar esse esquema de lavagem de capitais”.

Diogo Castro disse que o ex-secretário-geral do PT tem envolvimento em fatos recentes ligados à Lava Jato. “Outras evidências da Operação Lava Jato mostraram o envolvimento dele com outros fato mais recentes. Fernando Moura afirmou que ele, em tese, receberia recursos da empreiteira OAS, para que não falasse o que sabia do mensalão. Isso está na nossa representação e realmente foram identificados pagamento da OAS em favor da empresa de Sílvio Pereira, pagamento em torno de R$ 500 mil, cujos serviços de contrapartida não foram identificados”.

Na 27ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta-feira, foi preso o empresário Ronan Maria Pinto, dono do Diário do Grande ABC e da empresa Viação Expresso Santo André. Ele teria recebido, segundo o procurador Diogo Castro, R$ 6 milhões dos R$ 12 milhões obtidos em negócios que envolvem a Petrobras e o Banco Schahin. Há suspeitas de que parte deste dinheiro foi usada para que Ronan se tornasse controlador do jornal Diário do Grande ABC.

Os repasses tiveram como intermediários o pecuarista José Carlos Bumlai e o frigorífico Bertin, até chegar à empresa Expresso Santo André, de Ronan Pinto. Segundo o procurador, algumas das operações financeiras foram citadas pelo publicitário Marcos Valério em 2012, e puderam ser confirmadas a partir da quebra dos sigilos fiscais e bancários dos investigados.

Segundo o procurador, apesar de as investigações não terem esclarecidos os motivos dos pagamentos feitos a Ronan, há constatações de que ocorreram ilegalidades. “Em que pese que a motivação final do repasse dos valores ainda esteja sob investigação, o simples repasse, mediante estratagemas de dissimulação, caracteriza o crime de lavagem de dinheiro”.

O procurador Diogo Castro citou a existência de outros fatos sobre Ronan e Sílvio Pereira relacionados a crimes contra a administração pública. Castro disse que Ronan foi condenado na Justiça estadual de Santo André e responde a outros processos. Sílvio Pereira é suspeito também de ser beneficiário de dinheiro de corrupção na Petrobras.

A nova fase da Operação Lava Jato investiga a prática de crimes de extorsão, falsidade ideológica, fraude, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro, segundo a PF.

Os presos Sílvio Pereira e Ronan Maria Pinto foram encaminhados para a Polícia Federal em Curitiba, enquanto aqueles conduzidos para depoimentos serão ouvidos na cidade de São Paulo. Esta fase foi chamada de Operação Carbono 14 em referência a procedimentos usados pela ciência para a datação de itens e a investigação de fatos antigos.

Por meio de nota, Ronan Maria Pinto disse “não ter relação com os fatos mencionados e estar sendo vítima de uma situação que com certeza agora poderá ser esclarecida de uma vez por todas”.

O empresário acrescentou que sempre esteve à disposição para esclarecer as dúvidas dos investigadores sobre o caso.

*Com informações da Agência Brasil

Tags: Operação Lava Jato
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