Sputinik Brasil – Como manda a tradição, o chefe de Estado brasileiro abriu a conferência, que neste ano ocorreu remotamente devido à pandemia da COVID-19. Em sua fala, Bolsonaro disse que o Brasil é “vítima de de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal”.
Segundo o presidente, a região é “sabidamente riquíssima”, o que “explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil”. Dados recentes apontam níveis recordes de queimadas e desmatamento na Amazônia e no Pantanal.
Para Marcelo Seráfico, professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o discurso de Bolsonaro na ONU “reitera as duas linhas de argumento fundantes de sua prática política”.
Escalada do conflito com Venezuela
Em sua fala, Bolsonaro disse ainda que seu governo, com medidas econômicas, tinha evitado um “mal maior’ durante a pandemia do coronavírus. Ele lamentou as mortes provocadas pela doença e criticou o isolamento social, afirmando que a imprensa “politizou o vírus” e a campanha para a população ficar em casa quase trouxe “caos social”.
Ao final do discurso, o presidente fez “apelo a toda a comunidade internacional pela liberdade religiosa e pelo combate à cristofobia”.
Para o cientista político Danillo Bragança, pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), um ponto marcante do discurso foi a referência à Venezuela, o que indica que o conflito com o país vizinho “está escalando novamente”.
Bolsonaro acusou o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelo derramamento de óleo na costa brasileira no ano passado.
‘Alinhamento grosseiro e primário’ aos EUA
Segundo Marcial Suarez, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF), o elogio do presidente ao plano elaborado pelos Estados Unidos para o conflito entre Israel Palestina, assim como à mediação norte-americana de acordos entre Israel e alguns países árabes, demonstra fragilidade da política externa brasileira.
“O alinhamento brasileiro à política externa estadunidense é grosseira e primária, ao ponto de Bolsonaro elogiar um acordo de paz sobre a questão palestina, e pasmem novamente, que não contou com a participação da comunidade palestina, mas com países alinhados aos Estados Unidos, como Emirados Árabes, Israel e Bahrein”, afirmou o especialista à Sputnik Brasil.
‘Mundo fantasioso e persecutório’
Suarez disse ainda que, no plano interno, “ficamos reféns de afirmações no mínimo difíceis de justificar”.
Citando a hidroxicloroquina, Bolsonaro disse na ONU que “não podemos depender apenas de umas poucas nações para produção de insumos e meios essenciais para nossa sobrevivência”. Além disso, afirmou que o “insumo da produção” do medicamento tinha sofrido um “reajuste de 500% no início da pandemia”.
Sobre os incêndios na Amazônia, argumentou que a “floresta é úmida e não permite propagação do fogo em seu interior”. Segundo Bolsonaro, as queimadas são iniciadas no “entorno leste da floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas”.








