Folha de São Paulo – O relator do Orçamento de 2021, senador Márcio Bittar (MDB-AC) disse nesta quarta-feira (16) que foi autorizado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a criar um novo programa social em substituição ao Renda Brasil, abortado na terça (15) pelo chefe do Executivo.
“Fui solicitar ao presidente se ele me autorizava colocar dentro do Orçamento a criação de um programa social que possa atender milhões de brasileiros que foram identificados ao longo da pandemia e que estavam fora de qualquer programa assistencial. O presidente me autorizou”, disse Bittar ao deixar um almoço com Bolsonaro. Ele já havia tomado café da manhã com o presidente.
Bittar, no entanto, não disse de onde sairiam os recursos para bancar o novo programa social.
“Não adianta agora a gente especular do que que vai tirar, de onde vai cortar. Mas eu estou autorizado pelo presidente, ele me deu sinal verde e, a partir de agora, vou conversar com os líderes do governo no Senado e na Câmara, com a equipe econômica”, afirmou.
O senador disse que pretende entregar o relatório já na próxima semana.
O anúncio feito pelo relator do Orçamento é contraditório com a manifestação de Bolsonaro no dia anterior.
O presidente ameaçou com “cartão vermelho” integrantes da equipe econômica que defenderem medidas como o corte de benefícios de aposentados e deficientes.
“Até 2022, no meu governo, está proibido falar a palavra Renda Brasil. Vamos continuar com o Bolsa Família. E ponto final”, afirmou na terça-feria.
Na gravação, o presidente ressaltou que foi surpreendido por manchetes de jornais, entre elas a da Folha, segundo a qual o governo planeja revisar cerca de 2 milhões de benefícios destinados a idosos e deficientes.
A medida, que vinha sendo estudada pela Economia e pela Cidadania, poderia gerar uma economia de R$ 10 bilhões por ano. O objetivo seria endurecer a regulamentação dos critérios para recebimento do BPC (Benefício de Prestação Continuada).
“Eu já disse há poucas semanas que jamais vou tirar dinheiro dos pobres para dar para os paupérrimos. Quem por ventura vier propor a mim uma medida como essa eu só posso dar um cartão vermelho para essa pessoa”, disse o presidente.








