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Confrontos entre seguidores de Trump e do ‘Black Lives Matter’ deixam um morto nos EUA

redacao Por redacao
30/08/2020 - 23:11 - atualizado em 31/08/2020 - 09:27
em Mundo
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homem morreu após receber um disparo no peito em Portland

Manifestante segura megafone com o qual frases contra a desigualdade racial e a violência policial nos EUA, neste domingo, em Portland — Foto: Caitlin Ochs/Reuters

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Um homem morreu após receber um disparo no peito em Portland (Oregon) no início da noite deste sábado, após uma tarde de enfrentamentos nas ruas da cidade entre manifestantes pela justiça racial e membros de uma caravana de centenas de veículos de seguidores do presidente Donald Trump, informa reportagem de El País.

Segundo a Associated Press, o homem usava um boné com o símbolo do Patriot Prayer, um grupo local de ultradireita que já havia entrado em confronto em diversas ocasiões com os manifestantes, que há três meses —desde a morte do afro-americano George Floyd pela polícia de Minneapolis— protestam em Portland contra a violência policial e pela justiça racial. A Polícia não revelou a identidade da vítima nem a do autor do disparo.

Segundo o comunicado da Polícia de Portland, a “caravana de centenas de veículos” se estendia ao longo de “várias milhas” quando entrou em Portland, pouco depois das 17h30 (hora local) de sábado.

Nas ruas da cidade, explicou a Polícia, “pedestres e ocupantes de veículos trocaram palavras periodicamente e, às vezes, houve brigas”. A Polícia deteve nove pessoas, segundo a nota, com acusações que vão de conduta agressiva a posse ilegal de armas.

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O comunicado policial diz que, às 20h30, “a caravana de veículos havia ido embora do centro da cidade”.

Às 20h46, policiais escutaram disparos. Chegaram à cena “em um minuto” e encontraram um grupo de pessoas ao redor de um sujeito estendido no chão. “O homem havia recebido um tiro e não sobreviveu”, diz a nota.

ENTENDA O CASO

A morte do homem ocorreu no final de uma semana especialmente conturbada neste verão norte-americano, em que os protestos pela justiça racial percorreram diversas cidades do país. No último domingo, em Kenosha, uma cidade de 100.000 habitantes do sudeste de Wisconsin, no Meio-Oeste dos EUA, um policial disparou repetidamente pelas costas contra um cidadão afro-americano, Jacob Blake, que continua internado.

O episódio desatou os protestos na cidade em nome do movimento antirracista Black Lives Matter. Desencadeou também uma histórica mobilização de atletas profissionais que provocou o cancelamento de vários jogos em diversas ligas, da NBA até o beisebol, o futebol e o tênis.

Os protestos em Kenosha ganharam um tom violento nas primeiras três noites, com carros queimados e lojas saqueadas. Milícias de moradores compareceram armadas para proteger a cidade e enfrentar os manifestantes. Na noite de terça-feira, um jovem de 17 anos abriu fogo com um fuzil de assalto e foi acusado de matar duas pessoas.

Os incidentes ocorreram três meses após a onda de protestos que varreu o país depois da morte de George Floyd, em Minneapolis, nas mãos de um policial.

O agente pressionou com o joelho o pescoço de Floyd contra o chão, enquanto este dizia que não podia respirar, como se vê num vídeo que deu a volta ao mundo. Uma mobilização de uma envergadura inédita desde a explosão da luta pelos direitos civis nos anos sessenta.

TRUMP AGRAVOU A CRISE

A onda de protestos, que ocorre num país extremamente polarizado e com as eleições previstas para novembro, levou a compromissos de reformas policiais em diversas cidades e foi diminuindo com o passar dos meses. Mas em Portland as manifestações continuaram, embora com intensidade variável.

A tensão havia se reduzido quase totalmente em julho, quando Trump decidiu enviar forças federais à cidade. As imagens dos agentes prendendo manifestantes pelas ruas incendiaram as redes sociais, provocaram a indignação dos democratas, que falaram de sequestros extrajudiciais, e reativaram os protestos.

Trump utiliza reiteradamente a cidade como exemplo da necessidade de mais pulso firme contra os protestos —e de como os democratas, que governam a cidade e o Estado, não são capazes de manter a ordem.

Na mesma quinta-feira, no discurso em que aceitou a nomeação oficial como candidato à reeleição no encerramento da Convenção Nacional Republicana, o presidente acusou novamente as autoridades da cidade de serem incapazes de controlar a situação.

Neste domingo, o mandatário voltou a publicar mensagens no Twitter sobre os protestos, criticando as autoridades democráticas de Portland e pedindo “lei e ordem”.

O que aconteceu nessa cidade, disse o presidente, “não pode ser inesperado depois de 95 dias vendo um prefeito incompetente admitindo que não tem nem ideia do que está fazendo”.

“As pessoas de Portland não continuarão tolerando a falta de segurança. O prefeito é um TOLO. Levem a Guarda Nacional!”, acrescentou, numa sequência de tuítes no início da manhã.

A diretora-adjunta da campanha do democrata Joe Biden, Kate Bedingfield, acusou Trump neste domingo de incitar à violência.

“Ele incentivou seus seguidores a saírem, a serem agressivos”, declarou Bedingfield à Fox News. “É melhor para este presidente se houver mais anarquia, mais violência, mais caos. Em cada oportunidade que teve, ele avivou as chamas.”

Trump transformou a mensagem de lei e ordem em seu grande ativo eleitoral. A fim de desviar o foco de sua gestão da pandemia do coronavírus, que ainda atinge com força o país e abalou um vigor econômico que o presidente esperava que garantiria sua reeleição, Trump encontrou no pulso firme policial um argumento que, espera, o ajudará a chegar aos votantes moderados.

Os democratas, por sua vez, assumiram a causa da justiça racial e condenam os incidentes violentos, mas tentam não colocá-los no mesmo saco dos protestos pacíficos.

Tags: #Black Lives Matter
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