A covid-19 é uma doença provocada pelo novo coronavírus e recente, que ainda traz muitas perguntas. Para algumas delas pesquisas científicas já encontraram respostas. Uma delas é sobre o aleitamento materno: o leite de uma mãe que está amamentando e testou positivo para Covid-19, pode contaminar o bebê?
A enfermeira pediátrica da Fundação Oswaldo Cruz (IFF-Fiocruz), Maíra Domingues, explica que não. Segundo ela, os estudos feitos com amostras de leite de mães que tiveram covid-19 indicaram que vírus SARS-CoV-2 não é transmitido pela amamentação.
“As mães podem e devem continuar amamentando, mesmo estando com sintomas compatíveis com a síndrome gripal ou infecção respiratória, ou mesmo a confirmação para covid-19, se for seu desejo e se estiver em condições clínicas adequadas”, disse.
A enfermeira pediátrica, no entanto, destaca:
“Mas é importante que elas utilizem a máscara quando forem amamentar ou realizar algum cuidado com o bebê. E, claro, a higienização das mãos com bastante frequência, antes e depois da mamada ou cuidado”.
Maíra atua como coordenadora da assistência em aleitamento materno do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira, da IFF/Fiocruz.
BANCO DE LEITE
Já doação para o Banco de Leite Humano (BLH) está contraindicada para mulheres com sintomas compatíveis com síndrome gripal, infecção respiratória ou confirmação de caso de SARS-Cov-2 (novo coronavírus). Orientação semelhante também se estende para mulheres contactantes, durante o período da viremia.
“Para a doação do leite humano de mulheres que estão com o vírus – suspeito ou confirmado – é importante recomendar a contraindicação temporária da doação pelo período de 14 dias, contados a partir do início dos sintomas. As nossas normas técnicas oferecem uma segurança e garantia da qualidade em todo o processo de coleta, armazenamento, pasteurização, então não houve nenhuma mudança”, destacou.
“A única recomendação é que para qualquer doença infectocontagiosa, não só para o coronavírus, a doação é contraindicada até a melhora do quadro”.
PROTOCOLO DE ASSISTÊNCIA
Maíra informa que a pandemia obrigou o instituto a mudar alguns atendimentos às mães e pais, mas o serviço não foi interrompido.
“Nós suspendemos os grupos educativos oferecidos no pré-natal, que são grupos para o casal que está esperando o bebê, que eram realizados duas vezes por semana. Na assistência para a mãe que está com dificuldade para amamentar, nós estamos realizando teleconsulta, teleorientação. Em casos em que é necessária a consulta presencial, é feito o agendamento a partir de uma primeira avaliação na teleconsulta”.
A lista e o contato dos Bancos de Leite Humano em todo o país estão disponíveis no portal da rede, assim como recomendações básicas e notas técnicas sobre amamentação e covid-19.
MÊS DO ALEITAMENTO
A primeira semana de agosto é a Semana Mundial do Aleitamento Materno. O tema deste ano da campanha é Apoie o aleitamento por um planeta saudável. O tema segue os Objetivos Sustentáveis do Milênio da Organização das Nações Unidas.
“O foco é no planeta, porque o leite materno é um alimento renovável, natural, que não traz custo ambiental. O leite humano é ambientalmente seguro e não gera impactos ambientais como os substitutos do leite materno, que são as fórmulas infantis, em decorrência do processo de industrialização”, disse Maíra.
E a Semana Mundial do Aleitamento Materno foi encerrada na última sexta-feira (7), com o primeiro mamaço virtual promovido pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Agosto é celebrado nacionalmente como o Mês de Aleitamento Materno desde 2017. O período também é chamado de Agosto Dourado. As informações são da Agência Brasil.








