Um dos maiores estudiosos sobre o uso de agrotóxicos no Brasil, o professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Marcos Pedlowski, denunciou nesta sexta-feira (16) o descarte criminoso de embalagens do herbicida Hexaron WC, fabricado pela multinacional sino-israelense Adama Brasil.
O material foi fotografado na Fazenda Guandu, na região de Travessão, zona rural de Campos (RJ). A propriedade que pertence ao grupo Othon, segundo o professor, está arrendada a Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro (Coagro).
A substância é indicada ao cultivo da cana, onde eliminaria uma série de pragas. Sua utilização é autorizada no país, mas o descarte de embalagens tem exigência por parte da legislação ambiental.
“Apesar de toda a suavização na classificação de riscos realizada pela Anvisa, o Hexaron WG é considerado como sendo um produto muito perigoso para o meio ambiente, especialmente para corpos hídricos, sendo que este agrotóxico pode contaminar o lençol subterrâneo em função de sua mobilidade”, destaca Pedlowski em seu blog.
O professor também lembra que em 2009, nesta mesma propriedade rural, uma inspeção do Ministério Público do Trabalho e Emprego, com apoio da Polícia Rodoviária Federal, encontrou trabalhadores atuando em condições análogas à escravidão.
“Em outras palavras, a mesma propriedade que hoje estaria descartando ilegalmente embalagens vazias de agrotóxico altamente perigoso já foi palco da prática de trabalho escravo”, destacou.
OUTRO LADO
A direção da Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro (Coagro) enviou nota sobre o caso. O conteúdo afirma que a propriedade citada é subarrendada a dois fornecedores. “Porém, diante dos fatos iremos comunicar a equipe de Meio Ambiente para ir ao local, verificar a denúncia”, diz a nota.
O texto também destaca: “Reforçamos que nosso trabalho é pautado nas boas práticas de preservação do meio ambiente. Realizamos permanentemente um trabalho de conscientização sobre a importância do cuidado com o meio ambiente. A Cooperativa orienta aos fornecedores para que façam o descarte correto, na central de recolhimento de embalagens que funciona na localidade de Ribeiro do Amaro”.
Sobre a inspeção que constatou trabalhadores atuando em condições análogas a escravidão, a nota explica: “É importante destacar que sobre a denúncia relacionada ao trabalho escravo na propriedade, a Coagro arrendou as terras a partir do ano passado (2019). Antes desse período, sequer explorávamos o plantio de cana na área”.








