quinta-feira, 22 outubro, 2026
Portal Viu
  •  
  • Política
  • Cidade
  • Fonte Exclusiva
  • Economia
  • Mundo
  • Opinião
  • D+News
  • Colunistas
  • Apuração Eleições 2026
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Portal Viu
  •  
  • Política
  • Cidade
  • Fonte Exclusiva
  • Economia
  • Mundo
  • Opinião
  • D+News
  • Colunistas
  • Apuração Eleições 2026
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Portal Viu
Nada encontrado
Ver todos os resultados

Jó, o personagem bíblico, e a modernidade abrem caminhos para  entender a farsa do poder político

João Vicente Por João Vicente
04/05/2020 - 12:22 - atualizado em 11/05/2020 - 12:23
em Cultura
A A
Jó, o personagem bíblico

Foto: Reprodução

Compartilhar:

Um dos maiores filósofos russos do século XX, Mickhail Bakhtin, afirma que o que nos traz de volta ao “medo cósmico”,  ao começo, são a fonte, tanto da Religião quanto a da Política. 

Ele descreve o “medo cósmico” como uma emoção humana, demasiadamente humana, surgida pela ameaça da magnificência sublime e inumana do Universo. O “medo cósmico” é o tipo de medo que precede o poder constituído pelo homem, e lhe serve de alicerce, protótipo e inspiração para criar e exercer o poder entre os homens.

Mikhail fala também do “medo cósmico” como sendo a impotência sentida diante do incomensuravelmente grande e incomensuravelmente poderoso; frente ao céu estrelado, do volume material das montanhas, do mar, o medo de sublevação cósmica e desastres elementares, o ser humano se torna vulnerável e frágil. 

Some-se a isso, a percepção de que não é da capacidade humana apreender, compreender ou assimilar mentalmente o poderio assombroso que se manifesta na própria grandeza do Universo, o Universo escapa a toda nossa compreensão. 

Leia Também

Sonhar com bebê: descubra os significados desse sonho

Sonhar com macaco: o que significa e quais são as interpretações?

Não há, portanto, como não reconhecer que o “medo cósmico” é também o horror do desconhecido e do invencível, ou seja, o terror da incerteza, sentimento humano que se manifesta diante de um grande desafio, geralmente ameaçador.

O ser humano  é incerto e vulnerável, duas qualidades ou características da sua precária condição, através das quais se molda aquele outro medo, “o medo oficial”, que é uma construção do Estado, que incrementa uma insegurança alternativa, com o objetivo de restaurar o monopólio perdido da redenção a ser reforçada, ou pelo menos super dramatizada, inspirando um volume suficiente de medo, terror, pânico e insegurança. 

Ao mesmo tempo se relega e obscurece, a segundo plano, a insegurança economicamente gerada, sobre a qual o Estado nada pode e/ou nada quer fazer. A grave instabilidade econômica não é, pois,  manipulada para arquitetar esse medo que Bakhtin apelidou de  “medo oficial”.

O “medo oficial” e o medo do poder humano são poderes construídos e administrados pelo homem. O “medo oficial” é construído segundo o padrão do poder inumano, refletido pelo “medo cósmico”, isto é, que dele emana. 

O “medo oficial” tem origem no “medo cósmico”, que é usado por todos os sistemas religiosos. 

Quando as religiões supõem o que possa ser a imagem de Deus, ela é moldada a partir da conhecida emoção do medo, da vulnerabilidade e do temor do ser humano, em face da incerteza impenetrável e ameaçadora que o homem sente frente ao Universo desconhecido. 

Mas, ao ser remodelado por uma doutrina religiosa, o “medo cósmico” primitivo passa por uma transformação decisiva. Essa força anônima e muda assusta, mas nada exige, nada fala. Não há sentido em conversar com o céu estrelado, com o mar, as montanhas ou o mar, para tentar marcar presença e obter favores. 

Os atos dessa força anônima são incompreensíveis aos frágeis humanos e à própria força anônima que pode receber o nome de Deus, no Cristianismo, ou outro nome, de acordo com a doutrina religiosa de pessoas ou povos.

Um dia, a força sobre-humana do “medo cósmico” registrou suas primeiras palavras,  “Sou o que sou “, pronunciadas para Moisés do meio da Sarça Ardente (Êxodo 3: 14). Assim, a fonte sobre-humana deixou de ser anônima, ainda que não tenha se apresentado pelo nome, permanecendo além do controle e da compreensão humanos. Os seres humanos continuaram tão vulneráveis e inconstantes como antes, e portanto aterrorizados.

Mas algo muito importante e diferente aconteceu com a fonte do “medo cósmico” tão ameaçadora do ser humano. Ela (fonte, Deus) deixou de ser surda e muda, adquiriu controle sobre sua própria conduta, havendo, então, uma extraordinária transformação do Universo em Deus e, de forma indireta, o homem passa a ter um certo poder. De agora em diante,  os seres humanos deveriam ser dóceis, submissos e condescendentes, mas, em troca,  passariam a ter a garantia de que as bênçãos que ambicionavam chegariam a suas mãos.  

Mas uma vez, a voz de Deus fora ouvida, ao anunciar/ameaçar: “agora, pois, se diligentemente ouvirdes minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar, dentre todos os povos”.  E o povo hebreu respondeu a uma só voz, e disse – “tudo o que o Senhor tem falado,  faremos ” – (Êxodo 19). Deus prometeu levá-los a “uma terra que mana leite e mel ” (Êxodo 33).

Com “ouçam-me e me obedeçam ” -, Deus ofereceu ao seu povo uma aliança, prometendo a felicidade, desde que obedecessem à Lei ao pé da letra, não ficando, pois,  vulneráveis, nem seriam atormentados pela incerteza. 

Mas o medo, e consequentemente o poder, deixariam de existir sem a vulnerabilidade e a incerteza. Isso seria um problema. Como sujeitar  e dominar o homem,  quer pelo “medo cósmico”, quer pelo “medo oficial”?

Essa nova condição humana implica um Deus restrito por regras e arrisca a ser, em termos, um Deus sem poder. Estamos diante de um paradoxo. Mas um Deus sem poder não é uma força na qual se pode confiar, que cumpra a promessa de fazer de certas pessoas “seu tesouro particular”, sua “propriedade peculiar dentre todos os povos”. Esse é o paradoxo que o Livro de Jó  expõe e tenta resolver.

Quem lê o Livro de Êxodo , automaticamente,  vai procurar uma regra e uma norma, mas a mensagem do livro era a de que não havia regra nem norma em que se basear, ou seja, nenhuma norma ou regra que o poder supremo fosse obrigado a seguir, porque  “O soberano é aquele que tem o poder da isenção “, como afirma Carl Schmitt. Isto significa que o poder de impor normas deriva do poder de suspendê-las, ou torná-las nulas ou inválidas, por aquele que as elabora.

Em não existindo contradição entre estabelecer uma regra e fazer uma exceção, entendemos que, sem o poder de isenção da regra, não haveria poder para sustentar a regra. 

É essa a lógica  e a verdade do poder. Esta conclusão deve ser considerada em qualquer tentativa de compreensão a respeito do poder. No entanto, o entendimento está em contradição com a crença. 

E se estamos de acordo com o pensamento, segundo o qual, só o incompreensível  pode ser objeto de uma crença incondicional, sem o Livro de Jó,  o Livro do Êxodo não conseguiria estabelecer os alicerces da onipotência de Deus e da obediência de Israel.

Fora do Universo bíblico, os modernos postulantes terrenos à onipotência divina não deixarão de reconhecer que o caráter imprevisível e ocasional das trovejadas do Deus de Abraão era bem mais assustador e aterrorizante do que as armas letais de nossos tempos, em mãos de políticos e comunicadores, ansiosos por conquistar a onipotência. 

E, quem se atreva a querer roubar os trovões dos governantes  atuais não deverá esquecer-se de afastar a névoa da incerteza que envolve esses governantes e transformar a aleatoriedade  em regularidade, e o estado de anomia – ausência de regra, ou fluidez dos limites, à regulação normativa – em norma. 

Jó não foi capaz dessa façanha. Os tempos eram outros e ele não podia antecipar esta operação, só realizável por uma criatura inserida no contexto da nossa modernidade. É hoje, são muitos os capazes de realizar esta façanha.

Tags: #Jó#MedoCosmico#Personagem #Biblia#Poder
Notícia anterior

Quina e Lotofácil abrem semana com R$ 9 milhões nas loterias da Caixa Econômica Federal

Próxima notícia

Aventuras de Bolsonaro não têm apoio das Forças Armadas

João Vicente

João Vicente

João Vicente Alvarenga é professor, Mestre em Filosofia, Escritor e ex-postulante ao Diploma de Bacharel em Direito.

Próxima notícia
Ministro da Defesa de Bolsonaro

Aventuras de Bolsonaro não têm apoio das Forças Armadas

Morte de Aldir Blanc

Aldir Blanc, um dos maiores letristas brasileiros, morreu de Covid-19 no Rio de Janeiro 

COLUNISTAS

Entre palcos e palanques: o meio artístico ganha protagonismo na reta final da eleição

Fabrício Cabral
21/10/2026 05:09

Temperança marca a transição para outubro com mensagem de equilíbrio e renovação

Carlos Fracho
28/09/2026 05:56

Na mira do MPRJ: Ala inaugurada em 2024 no Hospital Manoel Carola nunca funcionou 

Douglas Fernandes
25/09/2026 04:20

Mentira e eleição: quando convencer vale mais que dizer a verdade

João Vicente
15/09/2026 08:44

Frederico Paes e o governo que tenta trocar espetáculo por entrega em Campos

Roberto Barbosa
07/07/2026 11:23

STF e autismo: quando a condição precisa ser visível para ser reconhecida

Karoline Barbosa
28/05/2026 09:10

Thiago Rangel mantém influência na Alerj mesmo após afastamento, aponta blog

Mathilde no Poder
14/05/2026 10:05

A história de Jacyr Barbetto em Campos dos Goytacazes-RJ (Parte II)

Leonardo Santos
01/05/2026 11:30

EDITORIAS

Brasil Canal VIU Cidade Concurso Cultura D+News Economia Esporte Fonte Exclusiva GEEK Mundo Opinião Política Saúde Tecnologia
Portal Viu
Universidade Candido MendesO

 

Notícias das cidades do Estado do Rio de Janeiro, com destaque para Macaé e Campos dos Goytacazes, além dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.

Conheça o Portal VIU!

E-mail: [email protected]

  •  
  • Política
  • Cidade
  • Fonte Exclusiva
  • Economia
  • Mundo
  • Opinião
  • D+News
  • Colunistas
  • Apuração Eleições 2026

Nada encontrado
Ver todos os resultados
  •  
  • Política
  • Cidade
  • Fonte Exclusiva
  • Economia
  • Mundo
  • Opinião
  • D+News
  • Colunistas
  • Apuração Eleições 2026

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In
Brasil inteiroVer por estado
Carregando dados oficiais do TSE…
Fonte: TSEAcompanhar apuração completa →

Add New Playlist