*Reportagem Especial
Os EUA enfrentam um clamor global em face às sanções aplicadas contra o Irã em plena pandemia do coronavírus.
O país persa é um dos mais afetados pela pandemia, porque as sanções norte-americanas impedem empresas de fornecerem medicamentos, insumos e alimentos, restringindo a atuação da comunidade médica.
As consequências se revelam uma tragédia humanitária. Já são 2.077 vítimas fatais desde o início da pandemia no país e 27.077 pessoas infectadas.
A situação também se agrava em nível mundial, porque já está demonstrado que o vírus se circula de forma rápida.
O mundo se aproxima de 400.000 infectados, incluindo quase 17.000 mortes, de acordo com uma contagem realizada pela agência de notícias francesa AFP, usando fontes oficiais.
AMEAÇA DE COLAPSO
O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos pediu que quaisquer sanções impostas a países como o Irã sejam “urgentemente reavaliadas” para evitar empurrar os sistemas médicos sob tensão ao colapso.
“Neste momento crucial, tanto por razões de saúde pública global e apoiar os direitos e vidas de milhões de pessoas nesses países, sanções sectoriais deve ser facilitado ou suspensos”, disse a comissária da ONU, Michelle Bachelet em um comunicado.
“Em um contexto de pandemia global, impedindo os esforços médicos em um país, aumenta o risco para todos nós”, explicou.
Bachelet apontou em particular para o caso do Irã – um dos países mais atingidos na pandemia, com quase 2.000 mortes.
Mesmo antes da pandemia, ela pontuou que os relatórios de direitos humanos enfatizavam repetidamente o impacto das sanções setoriais no acesso a medicamentos e equipamentos médicos essenciais no país, incluindo respiradores e equipamentos de proteção para os profissionais de saúde.
Mais de 50 médicos iranianos morreram desde que o primeiro caso de COVID-19 foi detectado no país há cinco semanas.
A comissária da ONU alertou que a epidemia do Irã também estava se espalhando para os países vizinhos, Afeganistão e Paquistão, pressionando também seus frágeis sistemas de saúde.
A declaração lembrou que as sanções podem impedir os esforços médicos em outros países, como Cuba, Coréia do Norte, Venezuela e Zimbábue durante a pandemia.
“A maioria desses estados têm sistemas de saúde frágeis ou fracos”, alertou Bachelet.
“O progresso na defesa dos direitos humanos é essencial para melhorar esses sistemas – mas os obstáculos à importação de suprimentos médicos vitais, incluindo o cumprimento excessivo das sanções pelos bancos, criarão danos duradouros às comunidades vulneráveis”, afirmou.
Ela instou os líderes mundiais a se unirem. “Nenhum país pode efetivamente combater esta epidemia por conta própria”, disse ela. “Precisamos agir com solidariedade, cooperação e cuidado”.
PAQUISTÃO DEFENDE REBELDIA
O primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, também que EUA removam suas sanções “injustas” contra o Irã, à medida que a condenação internacional cresce contra as proibições em meio ao surto de coronavírus no país.
“Eu enfatizaria e insistiria com a comunidade internacional para suspender as sanções contra o Irã”, disse Khan ao falar com repórteres na sexta-feira (20).
Ele acrescentou: “É muito injusto que eles estejam lidando com um surto tão grande de um lado e do outro estejam enfrentando sanções internacionais”.
O apelo de Imran Khan ecoou juntamente com protestos de outros países, como a Rússia, China e Grécia, além de diferentes organizações médicas e grupos de direitos humanos.
Em um post no Twitter nesta quarta-feira (25), o embaixador permanence do Irã na ONU, Majid Takht Ravanchi exortou os países a desafiarem o terrorismo econômico dos EUA.
“Um número crescente está defendendo o fim do #EconomicTerrorism dos EUA no Irã”, escreveu no post citado pela agência IRNA.
“Governos e parlamentares (inclusive dos EUA), funcionários da ONU e ONGs estão pedindo aos EUA que levantem sanções para que possamos combater melhor o # COVID19”, acrescentou o post.
“Se os EUA não atenderem a esse chamado, todos deverão desafiar as sanções”, destacou.








