Que o presidente Jair Bolsonaro é intempestivo todo mundo já sabe, mas suas recentes investidas contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) com apoio dos generais de pijama é algo inusitado.
Em áudio divulgado nesta quinta-feira (27), o senador Álvaro Dias (Podemos-PR) explica as verdadeiras razões da mais recente crise produzida na cozinha do bolsonarismo, que culminou com a convocação de um ato público para 15 de março.
Segundo ele, os deputados que integram a Comissão de Orçamento da Câmara tentaram aprovar um orçamento impositivo para verbas extras. Bolsonaro sentou com o comando das duas casas legislativas e lideranças do governo e negociou.
Debateu-se R$ 30 bilhões de verba extra para emendas de alguns deputados, caiu para R$ 19 bilhões e fechou a fatura em R$ 15 bilhões.
O paraíso não é para todos, porque muitos são chamados e poucos são escolhidos. Seriam contemplados apenas deputados do Nordeste escolhidos pela Comissão de Orçamento. A Comissão é presidida pelo deputado Domingos Neto (PSD-CE).
Conforme acordado, o projeto foi aprovado na Câmara, só que posteriormente foi vetado por Bolsonaro, deixando os deputados surpresos.
Logo após o veto, Bolsonaro pediu aos deputados para derrubar o veto, algo surreal. Segundo Álvaro Dias, é a primeira vez na história contemporânea do parlamento que um presidente veta um projeto e posteriormente procura os deputados para derrubar o veto.
E o que é pior: fez o acerto e mantém convocação para um ato público contra o Congresso no dia 15 de março. Aproveita-se da mansidão dos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado Davi Alcolumbre.
Desde o início de toda a discussão, quando acusou o Congresso de chantagem, Bolsonaro está jogando para a platéia. Ele critica publicamente e negocia nos bastidores.
Álvaro Dias lembra que esta não é a primeira negociata do governo no âmbito do legislativo.
“No ano passado, tivemos um dos maiores toma lá da cá da nossa história para aprovar a Reforma da Previdência. Foram 4 bilhões de reais. Os corretos não participaram disso. Nós não participamos disso”, afirmou.







