O jornalismo investigativo é a pedra no sapato de quem exerce o poder. Não há país democrático no ocidente que tolere a liberdade de imprensa, quando ela confronta os interesses da turma do andar de cima.
Liberdade plena é muito boa na casa do vizinho. Dentro de casa, imprensa boa é a que se dedica aos secos & molhados ou futricas de colunismo social. Não é por acaso que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro tenta acabar com o jornalismo maldito.
Mas não é só o Brasil. O mundo, na verdade, vive o maior ataque contra as liberdades e nesta guerra o jornalista é sempre uma das primeiras vítimas.
Um dos casos mais afrontosos é do fundador do site Wikileaks, Julian Assange.
Em total afronta aos direitos humanos, o governo da Inglaterra o mantém na prisão e sob tortura, depois que foi expulso da embaixada do Equador, onde se mantinha exilado. É simbolização de que liberdade no ocidente é um simulacro.
Assange enfrenta o ódio do governo dos EUA e países aliados por publicar documentos secretos vazados do governo norte-americano, que, entre outros escândalos, revelam práticas de tortura na guerra do Iraque e Afeganistão. O jornalista caiu em desgraça por derrubar o mito da “maior democracia do mundo”.
Atualmente ele está em total isolamento. Seu estado de saúde debilitado levou 117 médicos de 18 países a exigirem o fim da prisão. Enquanto isso, os EUA pedem sua extradição, podendo condená-lo a 175 anos de confinamento.
Entidades ligadas à defesa dos direitos humanos e juristas temem que sua condição o impeça de participar adequadamente da defesa.
Nesta segunda-feira (18), a renomada revista The Lance publicou uma carta assinada pelos 117 médicos e psicólogos de todo mundo pedindo o fim da tortura psicológica contra o paciente, mas é algo que dificilmente sensibilizará um país que já decapitou um rei e notabiliza-se pela total subserviência aos desígnios da Casa Branca.
“Desde que os médicos começaram a avaliar o Sr. Assange na embaixada do Equador em 2015, a opinião especializada e as recomendações urgentes têm sido constantemente ignoradas”, diz a carta escrita por um grupo de profissionais conhecidos como Doctors for Assange (Médicos por Assange).
Em maio do ano passado, o especialista em casos de tortura da ONU, Nils Melzer, juntamente com dois outros especialistas médicos especializados em estudar casos de tortura, também concluíram que Assange apresentava sintomas de “tortura psicológica”.
São tempos estranhos, em que não se vislumbra porto seguro para o exercício do jornalismo em ambiente de liberdade. É injusto atribuir esses ataques às liberdades apenas aos governos totalitários.
No Brasil o mecanismo cerceador passa pela judicialização perpetrada por políticos de todos os matizes ideológicos, sinal de que a perseguição ao jornalismo livre nivela as ideologias.








