Acabo de ler o excelente artigo de Petra Costa publicado no New York Times “humilhando Bolsonaro”, segundo alhures. A diretora consagrada com a indicação de seu documentário Democracia em vertigem ao Oscar 2020 nos diz que no filme ela entrelaça “a ascensão e queda dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Roussef e a eleição de Jair Bolsonaro com a minha própria história familiar”, e narra que sua família foi perseguida pela ditadura pós-64, no sul do país e outros fatos não menos importantes.
Porém o que me instigou a pensar e repensar tudo o que vou escrever neste artigo foi o seguinte: “Esforços para desacreditar a imprensa e as artes tem sido particularmente devastadores no Brasil. A sua influência vai muito além da política partidária. (…) O líder do governo caracterizou o Carnaval brasileiro, uma grande fonte de orgulho em nossa cultura, como uma festa degenerada. Alguns de nossos maiores artistas foram atacados, livros escolares estão sendo reescritos e recursos foram cortados para séries e projetos cinematográficos sobre temas L.G.B.T.Q.”.
É bem interessante ler o artigo completo, disponível em Diário Online Brasil.
Pois bem. O Brasil, nosso país gigante “mãe gentil”, é um país bundo. Significado de bundo. O que é bundo? Flexão de bundar. [Angola] Saqueio.
Mas pode ser também negro. No Priberam Dicionário, encontro:
bun·do (quimbundo mbundu, negro) substantivo masculino
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Designação genérica dada a qualquer língua de negros africanos. -
Designação genérica dada a qualquer negro de Angola. -
[Depreciativo] Linguagem .incorreta. -
Indivíduo pertencente aos bundos, povo banto que habita algumas regiões de Angola.
adjetivo
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Relativo aos bundos.
Palavras relacionadas: bunda, bundada, , bubu, bundona, bundão, malufo
Muito claro que podemos ser o país negro, e esta realidade vi de perto na Festa de Iemanjá, em Salvador, no dia 02/02. Ou podemos também, mais contundentemente no contexto atual, o país do saqueio, do saque, do roubo, da canalhice, seja ela monetária, cultural, pedagógica, et caterva.
Nossa memória, nossa história, NOSSOS ÍNDIOS comprovam isso: sempre fomos saqueados! Do achamento da terra aos nossos dias atuais. Por isso, o samba da mangueira já virou história, e, se Jesus é brasileiro, Jesus é bundo sim! Somos todos bundos! Ou alguém aqui tem sangue puro ou veia que jorre sangue diferente do mestiço bundo? NINGUÉM TEM. O Brasil é bundo sim!
E ainda, para completar semanticamente a questão, temos sido vítimas de saqueio, de roubo desde sempre! Agora querem saquear nossa cultura, nossa educação, nossas leituras?
Quando Roberto Alvim, ex-secretário de cultura do nosso país, proclamou que “a arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional”, repetindo, plagiando descaradamente frases do ministro da propaganda nazista de Hitler, Joseph Goebbels, proclamadas em maio de 1933, além de arrogante, o secretário foi criminoso. Porém, não se discute, pois está claro, evidente e doa a quem doer, que um retrato de Bolsonaro, anti-bundo, aparecia atrás de Alvim, ao mesmo tempo em que o Brasil Bundo foi obrigado a ouvir, ao fundo, Lohengrin, uma ópera do compositor favorito de Adolf Hitler, Richard Wagner. Ora, ora! Erant eruditions habes!
Queremos ouvir o samba da Mangueira, ele mesmo muito Bundo! Isto é muito mais cristão, no sentido lato da palavra:
Enredo: A Verdade Vos Fará Livre Senhor, tenha piedade Olhai para a terra Veja quanta maldade Senhor, tenha piedade Olhai para a terra Veja quanta maldade Mangueira Samba, teu samba é uma reza Pela força que ele tem Mangueira Vão te inventar mil pecados Mas eu estou do seu lado E do lado do samba também Mangueira Samba, teu samba é uma reza Pela força que ele tem Mangueira Vão te inventar mil pecados Mas eu estou do seu lado E do lado do samba também Eu sou da Estação Primeira de Nazaré Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher Moleque pelintra no buraco quente Meu nome é Jesus da Gente Nasci de peito aberto, de punho cerrado Meu pai carpinteiro, desempregado Minha mãe é Maria das Dores Brasil Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira Me encontro no amor que não encontra fronteira Procura por mim nas fileiras contra a opressão E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão Eu tô que tô dependurado Em cordéis e corcovados Mas será que todo povo entendeu o meu recado? Porque, de novo, cravejaram o meu corpo Os profetas da intolerância Sem saber que a esperança Brilha mais na escuridão Favela, pega a visão Não tem futuro sem partilha Nem messias de arma na mão Favela, pega a visão Eu faço fé na minha gente Que é semente do seu chão Do céu deu pra ouvir O desabafo sincopado da cidade Quarei tambor, da cruz fiz esplendor E ressurgi pro cordão da liberdade Mangueira Samba, teu samba é uma reza Pela força que ele tem Mangueira Vão te inventar mil pecados Mas eu estou do seu lado E do lado do samba também Mangueira Samba, teu samba é uma reza Pela força que ele tem Mangueira Vão te inventar mil pecados Mas eu estou do seu lado E do lado do samba também Eu sou da Estação Primeira de Nazaré Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher Moleque pelintra no buraco quente Meu nome é Jesus da Gente Nasci de peito aberto, de punho cerrado Meu pai carpinteiro, desempregado Minha mãe é Maria das Dores Brasil Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira Me encontro no amor que não encontra fronteira Procura por mim nas fileiras contra a opressão E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão Eu tô que tô dependurado Em cordéis e corcovados Mas será que todo povo entendeu o meu recado? Porque, de novo, cravejaram o meu corpo Os profetas da intolerância Sem saber que a esperança Brilha mais na escuridão Favela, pega a visão Não tem futuro sem partilha Nem messias de arma na mão Favela, pega a visão Eu faço fé na minha gente Que é semente do seu chão Do céu deu pra ouvir O desabafo sincopado da cidade Quarei tambor, da cruz fiz esplendor E ressurgi pro cordão da liberdade Mangueira Samba, teu samba é uma reza Pela força que ele tem Mangueira Vão te inventar mil pecados Mas eu estou do seu lado E do lado do samba também Mangueira Samba, teu samba é uma reza Pela força que ele tem Mangueira Vão te inventar mil pecados Mas eu estou do seu lado E do lado do samba também Mangueira Samba, teu samba é uma reza Pela força que ele tem Mangueira Vão te inventar mil pecados Mas eu estou do seu lado E do lado do samba também Mangueira Samba, teu samba é uma reza Pela força que ele tem Mangueira Vão te inventar mil pecados Mas eu estou do seu lado E do lado do samba também Composição: Luiz Carlos Máximo / Manu da Cuíca
AQUI, NO BRASIL, JESUS É BUNDO, É ÍNDIO, É GAY, É SAQUEIO TAMBÉM!!! A VERDADE TAMBÉM É BUNDA AQUI! FORA, FU, (NEO)NAZISTAS. FORA, FU, FASCISTAS!!! OS BUNDOS PASSARÃO!!!
SOMOS TODOS BUBU!








