Niterói (RJ), na região Metropolitana do Rio, entrou na farra de gastos com shows milionários. A cidade pagou R$ 600 mil de cachê ao cantor Gilberto Gil para o show da virada de ano na praia de Icaraí. A contratação se deu por meio da Niterói Empresa de Lazer e Turismo S/A (Neltur), autarquia do município.
A iniciativa que o presidente da Neltur, Paulo Novaes, chega a destacar como “espetáculo inesquecível”, está gerando protestos de moradores nas redes sociais.
No Facebook, o grupo “Niterói quer ter prefeito”, que reúne cerca de 16 mil pessoas cadastradas, os internautas não perdoam o prefeito Rodrigo Neves (PDT). Eles lembram que enquanto a cidade não tem equipamentos para exames de mamografia, ele desperdiça dinheiro público com a política de pão e circo.
O tema também despertou críticas entre opositores, principalmente diante dos argumentos para justificar o gasto.
A Prefeitura chegou a divulgar um texto afirmando que o custo se justifica, entre outras coisas, porque no dia de ano novo um supermercado da cidade tinha expectativa de vender mais bacalhau, por conta do fluxo de pessoas atraídas para acompanhar o show.
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REDISTRIBUIÇÃO EM PAUTA
Juntamente com a vizinha Maricá, Niterói entrou para o clube das cidades bilionárias graças ao crescimento exponencial da produção na camada do pré-sal. O orçamento do município no ano de 2019 foi estimado em R$ 3,2 bilhões.
A Prefeitura gasta sem se importar com o azar. O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para abril deste ano o julgamento da liminar que suspendeu a redistribuição de royalties. Se a liminar cair, o Estado do Rio, por exemplo, deve contabilizar uma perda de R$ 56 bilhões em quatro anos.
OPERAÇÃO ALAMEDA
Rodrigo Neves exerce o segundo mandato à frente da Prefeitura de Niterói e recentemente sua administração viveu momentos conturbados, quando ele chegou a ser preso pela força-tarefa do Ministério Público Estadual (MPRJ) e Polícia Civil, no âmbito da Operação Alameda, desdobramento da Operação Lava-Jato.
Neves foi acusado de desviar mais de R$ 10 milhões da verba do transporte do Município entre 2014-2018. Ele foi citado na delação do ex-dirigente da Fetranspor Marcelo Traça.
De acordo com a delação, o prefeito liderava um esquema que cobrava das empresas de ônibus consorciadas do município, 20% sobre cada reembolso da gratuidade de passagens.
O benefício é concedido a alunos da rede pública de ensino, idosos e pessoas portadoras de necessidades especiais.








