O Grupo Espírita “Aracy”, na cidade de Campos dos Goytacazes (RJ), Norte Fluminense, faz parte de meu imaginário infantil, tanto quanto de minha formação moral, juntamente com a educação e exemplos de meus pais.
A aproximação com o Grupo se deu motivada por uma situação adversa em família, quando minha mãe, que buscou, como último recurso, uma terapia espiritual para seus problemas de saúde, sob a orientação do casal dona Baby seu Peixotinho e demais colaboradores.
Estávamos, eu e meus irmãos e irmãs, ainda na primeira infância, o que tornava o drama familiar ainda mais cruciante. O núcleo familiar se desintegrara. Fomos distribuídos, para que recebêssemos os cuidados que a infância exige, entre familiares e família amiga da Fazendinha, a matriarca dona Doca, e suas filhas adultas, que fizeram questão de cuidar de alguns de nós.
Meu pai e avô materno foram quem enfrentaram mais de perto a evolução do estado de saúde de minha mãe. Mas foi uma comoção geral, que deixou atenta e prestimosa toda a família.
O meu avô residia na rua Aquidabã, área central de Campos, onde, então, minha mãe se hospedou, sob sua vigilância e cuidados. Parecia um problema angustiante e insolúvel.
Ele era, além de funcionário público, lotado na Malária, que corresponderia hoje ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), chofer de praça (motorista de táxi) e tinha como assíduo passageiro o médico Albano Seixas, de saudosa memória que, entrando em contato com o relato/desabafo de meu avô, sobre o problema que o atormentava, ele, de imediato, se dispôs a ir ao encontro de minha mãe, dando provas de amizade e de seu dever de médico e espírita cristão. Doutor Albano era Espírita e já arriscava um diagnóstico, mais como Espírita do que como médico.
Albano Seixas, figura pública, prestigiada na sociedade, além de médico, tinha sido professor de Química no Liceu de Humanidades de Campos, décadas de 30/40, e minha mãe tinha sido sua aluna no Curso Clássico.
Quando ele entra no ambiente do quarto, onde minha mãe, num leito, suportava uma aparente solidão, em estado de consciência alterado, o aguardava. Ela o reconhece de imediato, numa declaração que deixou a todos intrigados.
Falou: “Dr.Albano, o Sr. foi meu professor no Liceu”. A presença do médico a fez recobrar a lucidez, a consciência, por um lapso de tempo. Como espírita, não como médico, ele teve o alcance de seu problema espiritual.
PRIMEIROS PASSOS
A família acabava de dar o primeiro passo rumo ao restabelecimento de sua saúde. Iniciava-se, a partir daquele momento, daquele fiasco de luz, um longo caminho de recuperação, sob a orientação segura e disciplinada de doutor Albano Seixas, do médium Peixotinho e de sua mulher Dona Baby e do Grupo Espírita “Aracy”.
Para o sucesso de sua recuperação, foi prescrita uma terapia espiritual, um tratamento espiritual no Grupo Espírita “Aracy”, então com sede na Rua Miguel Herédia, também residência do médium seu Peixotinho e sua mulher Dona Baby, arquitetos dos trabalhos que se desenvolviam ali, em reuniões específicas de tratamento espiritual, com terapias apropriadas, assim como o estudo do Evangelho, da Doutrina Espírita, atividades organizadas num calendário que deveria ser seguido à risca.
DEDICAÇÃO AO GRUPO ARACY
À proporção que ia se configurando o processo do restabelecimento da saúde de minha mãe, a família ia se reunindo e também conduzida ao Grupo Espírita “Aracy”, onde passamos a frequentar as aulinhas de Evangelho, de onde, hoje, surge, emoldurada em minha memória, Thereza Gonçalves, que nos iniciou nos caminhos do Evangelho e da Doutrina Espírita, a quem sou muito grato.
Tive a oportunidade de conhecer seu Peixotinho e dona Baby, além de suas filhas, que se tornaram amigas, na infância e na juventude, sob a orientação de Alcione Peixoto.
Na fase adulta compartilhamos muitos momentos com Alcione, Iracy, Seila, Laís, Nina, Marisa. A casa de Peixotinho era um complemento de nossa casa.
PEIXOTINHO, O GRANDE MÉDIUM
Peixotinho fora um grande médium de efeitos físicos, tendo realizado, através de seu dom, médium, inúmeras materializações de vários espíritos que intercediam em favor de enfermos, portadores de doenças de variadas origens e de cunho espiritual.
Foram muitas curas, fora dos holofotes. Ao contrário, eram realizadas numa pequena sala, um anexo de sua residência. Essas reuniões de materializações se tornavam uma rotina, sempre aos sábados, guardadas no respeito e proteção de seus objetivos, o realinhamento espiritual de seus “pacientes” e a cura de enfermidades de natureza somática.
MATERIALIZAÇÕES LUMINOSAS
O médium Peixotinho era muito solicitado, fosse de manhã, tarde ou noite, até mesmo nas madrugadas, com diferentes demandas. Ele, doente crônico de asma, não deixava de atender a ninguém ou de hospedar, em sua própria residência, pacientes em situações difíceis. Sua residência era uma residência/ hospital.
Tinha de 4 a 5 anos de idade e acompanhava de perto aquele lar bulicioso, alegre, fraterno e iluminado, em conversas edificantes, muitas vezes sentado no colo de Seu Peixotinho, que parecia demonstrar uma simpatia especial por mim, arriscando, inclusive, a vaticinar sobre o que seria o meu futuro. Olhando nos meus olhos, olhar de criança, aberto, atento, expressivo, dizia: “Esses olhos …”, deixando um suspense.
A mediunidade de Peixotinho era rara. Ele foi um médium de efeitos físicos que, com esse dom, materializava espíritos desencarnados, em reuniões, cercadas de cuidados para evitar publicidade.
No entanto, cientistas e pesquisadores, dentro e fora do Brasil, ao saberem que numa cidadezinha do interior do Estado do Rio de Janeiro, havia um médium que realizava “prodígios” de materializações, de teletransportes, curas e outras tantas coisas surpreendentes, esses cientistas vinham do exterior (EUA e RÚSSIA) para procurar entender o fenômeno Peixotinho, submetendo-o a um escrutínio, na certeza de que encontrariam ali uma fraude e um fraudador.
Inutilmente, porque o que encontravam era a realidade da vida além-túmulo, o fenômeno da mediunidade de efeitos físicos e um médium frágil, doente crônico de asma, exemplo de uma vida simples, sem ostentação.
Vários autores já escreveram sobre Peixotinho e sua obra. O mais conhecido Materializações luminosas, de autoria de sua filha Alcione Peixoto.








