Chegou a hora do prefeito de Campos dos Goytacazes (RJ), Rafael Diniz, e do Ministério Público abrirem a caixa preta dos hospitais contratualizados.
A turma que exerce o papel do credor do município ao exigir quitação de duas faturas em atraso precisa explicar.
ENTENDA O CASO
A rede filantrópica formada por Santa Casa de Misericórdia de Campos, Plantadores de Cana, Beneficência Portuguesa e Hospital Escola Álvaro Alvim, além dos repasses do Sistema Único de Saúde (SUS), são contemplados com repasses mensais do município. Entre verbas do SUS e repasses do orçamento municipal, são R$ 14 milhões/mês e R$ 160 milhões/ano.
A verba municipal é um puxadão criado na era de ouro dos royalties do petróleo, quando a gestão municipal podia praticar bondades com gosto.
Se ao longo dos últimos anos o dinheiro chegou em abundância, em algumas dessas instituições a transparência mandou lembranças.
DINHEIRO NA CONTA
Nesta segunda-feira (04), o município depositou R$ 7 milhões na conta dos filantropos referente aos repasses do SUS. Sobre os repasses locais são duas faturas em atraso, uma delas com previsão de depósito nos próximos dias, segundo anunciou autoridades municipais na mídia local.
O choro dos credores é interminável. Muito se sabe, por exemplo, sobre atrasos de repasses e funcionários sem salários, mas pouco se sabe sobre fornecedores.
Perguntas que não calam: as empresas que fornecem serviços e insumos aos hospitais estão recebendo em dia? E os médicos e dirigentes, algum deles são sócios ou têm parentes em sociedades nessas empresas?
Onde tem dinheiro público é preciso que haja fluxo de informação sobre gastos. A dúvida é inimiga da parceria.
Agora mesmo fala-se em atrasos de salários de funcionários por conta da inadimplência da Prefeitura, mas pouco se comenta sobre pagamento de fornecedores. Qual tem sido a ordem de prioridade nos pagamentos, fornecedores ou funcionários?
Sem meias palavras: a briga da rede filantrópica é por dinheiro. O que se disputa é um pedaço do que resta de um orçamento que está em queda vertiginosa.
Esse mesmo orçamento é disputado por contribuintes de baixa renda (que perderam programas sociais), rede pública de saúde (como Hospital Ferreira Machado e Hospital Geral de Guarus), limpeza urbana e servidores municipais, que estão sem reajuste.
O cobertor está curto. Não vai demorar e o prefeito terá que fazer opções. A fonte de custeio no Norte Fluminense secou e transformou a contratualização em uma bomba relógio que precisa ser desativada o quanto antes.








