Nascido de uma dissidência da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP) na década de 90, o grupo religioso Arautos do Evangelho ficará sob intervenção do Vaticano. A medida aprovada pelo papa Francisco foi comunicada no último sábado (28), segundo informa reportagem do portal Terra.
O Vaticano evita comentar detalhes, mas a intervenção estaria se dados por problemas administrativos e pastorais.
A decisão do Vaticano foi comunicada pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada, chefiada pelo cardeal brasileiro João Braz de Aviz.
O interventor será o arcebispo emérito de Aparecida, cardeal Raymundo Damasceno, que será acompanhado pelo bispo auxiliar de Brasília, José Aparecido Gonçalves de Almeida, e pela freira Márian Ambrósio, superiora-geral das Irmãs da Divina Providência.
Segundo comunicado oficial, funcionários do Vaticano fizeram em junho de 2017 uma “visita apostólica” aos Arautos do Evangelho e às suas duas sociedades de vida consagrada, uma masculina (Virgo Flos Carmeli) e outra feminina (Regina Virginum).
“Após ter estudado atentamente as conclusões dos visitantes e obtido a aprovação do Santo Padre, a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada nomeou um comissário pontifício”, diz a nota.
As razões da intervenção estão ligadas a problemas no estilo de gestão e pastoral dos Arautos do Evangelho, mas o Vaticano não entrou em detalhes. Em 2017, o grupo havia chamado atenção após o vazamento de vídeos que mostravam práticas de exorcismo sem autorização da Igreja.
No entanto, segundo o site Vatican News, a medida não deve ser considerada uma “punição”, mas sim uma iniciativa “para o bem da instituição e para tentar resolver os problemas existentes”.
Os Arautos do Evangelho são conhecidos por sua batina marrom e branca com uma grande cruz no peito, similar à dos cavaleiros medievais, e pela visão ultratradicionalista da fé católica. Seus eventos litúrgicos são marcados por forte veneração, especialmente por Nossa Senhora de Fátima.
Os Arautos do Evangelho são uma Associação internacional de fiéis de direito pontifício, a primeira a ser ereta pela Santa Sé no novo milênio, em 22 de fevereiro de 2001. Eles estão presentes em diversos países do mundo e são reconhecidos pelo hábito marrom e branco, com uma grande cruz no peito, semelhante à de cavaleiros medievais. As duas Sociedades de Vida Apostólica dela derivadas obtiveram o reconhecimento pontifício em 2009.
Seu fundador é o monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, ex-membro da associação civil brasileira TFP (tradição, família e propriedade), que mais tarde se desmembrou em função de uma rebelião interna. De um de seus ramos que se tornou completamente autônomo nasceram os Arautos do Evangelho. Na época, a dissidência foi alvo de uma intensa disputa judicial.
Por decisão da justiça, a TFP ficou sob o domínio de pessoas ligadas aos Arautos, enquanto que o núcleo de fundadores da entidade, os chamados provectos, criou uma nova sociedade, o Instituto Plínio Corrêa de Oliveira (IPCO). O Instituto e uma homenagem ao pensador, escritor e criador da TFP, o professor Plínio Corrêa de Oliveira.








