Se você pretende disputar um mandato eletivo, não brinque com a opinião pública. Não se aventure a prometer aquilo que não poderá entregar.
As reversões de expectativas são cada vez mais rápidas e as reações diante das decepções cada mais mais intensas nesses tempos de fluxo de informação na velocidade do pensamento.
As redes sociais mudaram a relação governo e população. Plataformas como Facebook, Twitter, Instagram aproximam o eleitor do político e funcionam como difusores das insatisfações.
Isso, talvez, explique a razão do governo Jair Bolsonaro enfrentar uma grande a reversão de expectativas dos eleitores em apenas 7 meses de administração.
Pesquisa realizada pelo Instituto MDA em agosto por encomenda da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostra que o governo é avaliado como ruim ou péssimo por 39,5% dos brasileiros.
A mesma pesquisa realizada em fevereiro deste ano indicava que a desaprovação em relação ao governo Bolsonaro era de 19%. O desgaste chegou em velocidade recorde.
É claro que a própria figura de Bolsonaro, com suas grosserias públicas e notórias, contribuem para a derrocada, mas ainda assim, a desconstrução do mito ocorre em uma velocidade que impressiona.
De acordo com o levantamento CNT/MDA, 29,4% consideram o governo ótimo ou bom e 29,1% como regular, enquanto que 2% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
O eleitor que avalia o governo como regular, geralmente, está muito mais próximo de entrar para o grupo de totalmente insatisfeitos do que voltar ao patamar dos que aprovam. Por isso, é possível que na próxima rodada de pesquisas os números estejam ainda mais amargo para o governo.
A pesquisa CNT/MDA ouviu 2.002 pessoas entre os dias 22 e 25 de agosto, em 137 municípios. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.
Merece uma observação o quesito desempenho pessoal: 53,7% reprovam o desempenho pessoal do presidente, ante 28,2% em fevereiro. Do jeito que as coisas caminham, alguém precisa avisar: o último bolsonarista a sair apague a luz.








