Quem acompanha os corriqueiros discursos do prefeito Rafael Diniz e de seus secretários de que o município de Campos dos Goytacazes (RJ) se ressente de uma crise financeira sem precedentes, e não se preocupa em verificar o valor do orçamento municipal de 2019, pode até se compadecer das agruras que são propaladas para esconder (ou pelo menos tentar) o fracasso do governo que se elegeu prometendo mudar a forma de gestão da prefeitura.
O problema é que quando se verifica que o orçamento municipal de 2019 ultrapassa R$ 2,0 bilhões até o mais ingênuo dos munícipes se pergunta sobre como e onde está sendo gasta essa fortuna toda.
Mas indo para além do valor nominal do orçamento, uma constatação que pode ajudar a quem busca resposta acerca do destino do orçamento municipal é que desde 2016, os pobres e suas necessidades foram removidos das prioridades de governo.
É que entre as primeiras e mais contundentes medidas adotadas por Rafael Diniz foi exterminar as políticas sociais que, de fato, tinham posto os pobres no orçamento de Campos dos Goytacazes a partir de 1989 quando Anthony Garotinho assumiu seu primeiro mandato à frente da Prefeitura Municipal.
A partir daquele momento, os pobres e suas necessidades começaram a ser incluídos no orçamento, em um processo que se estendeu por todas as administrações municipais que se sucederam a Anthony Garotinho. A interrupção da presença dos pobres no orçamento veio a se dar pelas mãos de Rafael Diniz, o qual se elegeu prometendo não apenas melhorar a efetividade das políticas sociais existentes no município, mas também de ampliá-las.
A verdade é que o governo de Rafael Diniz serviu como um prenúncio do que fariam e estão fazendo outros ocupantes de cargos executivos, incluindo o presidente Jair Bolsonaro, no sentido de extinguir políticas sociais que serviram ao longo das últimas duas décadas para aliviar minimamente a pobreza extrema que é uma das características estruturais da sociedade brasileira.
Nesse sentido, o governo de Rafael Diniz serviu como uma espécie de vanguarda do atraso que, por um lado, retire o pobre do orçamento e, por outro, aumenta as benesses já abundantes para os segmentos mais abundantes da população.
Por causa de sua natureza altamente impopular, a qual está presente em outros governos em estados e municípios brasileiros, é que o destino eleitoral de Rafael Diniz pode também servir como um prenúncio do que poderá acontecer com outros governantes que estão optando por abraçar políticas de recorte neoliberal que punem duramente os mais pobres.
Dessa forma, não me surpreendem os resultados divulgados pelo Portal Viu de uma pesquisa de opinião (Data VIU! Estratégia) realizada em Campos dos Goytacazes acerca dos possíveis cenários eleitorais para o pleito municipal de 2020.
Essa pesquisa mostra que, graças ao estelionato eleitoral cometido por Rafael Diniz, há uma forte possibilidade de que nas próximas eleições tenhamos uma polarização entre Wladimir Garotinho e Caio Vianna que são herdeiros diretos de dois prefeitos que claramente colocaram os pobres no orçamento municipal.
E, mais, que essa polarização ocorre graças ao forte apoio que os dois recebem de segmentos menos educados e com menor faixa de renda. E antes que acusem os pobres de votarem sem consciência, o que esta tendência momentânea mostra é que, no mínimo, se deve creditar as preferenciais declaradas como um reconhecimento de que a situação está pior agora, e que a opção eleitoral estará direcionada a apostar em candidatos que recoloquem os pobres no orçamento. Esse é um comportamento pragmático e racional, pois de quem vota em alguém e depois vê traído não se pode esperar uma nova oportunidade.
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A verdade é que se efetivamente tivermos um segundo turno sem Rafael Diniz em 2020, o único culpado dessa situação será ele mesmo e sua inapetência para dialogar e governar para as camadas mais pobres da população.
Como poderiam os pobres votar no governo que fechou o Restaurante Popular, acabou com a passagem social, o Cheque Cidadão e o Programa de Habitação de Interesse Social?
Aos pobres pode se imputar muitas coisas, menos a de não perceber a discrepância entre as promessas eleitorais, e o que de fato fazem os governantes depois que sentam na cadeira que lutaram para ocupar, no momento de decidir o seu voto.
Para evitar que um destino trágico seja selado ainda no primeiro turno das eleições de 2020, Rafael Diniz terá que rapidamente sair do seu discurso habitual (e manjado) de culpar uma suposta herança maldita deixada por administrações anteriores por realizar uma gestão que até aqui é pífia e marcada por seus atos impopulares contra os pobres.
O problema é que o tempo, sempre o senhor da razão, corre rapidamente contra as pretensões de auto salvação do jovem político que chegou prometendo mudanças e acabou entregando uma porção de medidas salgadas contra os mais pobres.
E se até uma medida relativamente fácil e barata que era reabrir o Restaurante Popular nunca saiu do estágio da promessa, o que dirá da resolução de questões mais complexas que exigiriam mais dinheiro, mais pessoal contratado e soluções que sejam amplamente negociadas com camadas mais amplas da população do município.
Assista vídeo com análise de Roberto Barbosa e Ranulfo Vidigal:








