*Da redação
Com o advento da indústria do petróleo, a pesca artesanal tornou-se uma atividade invisível na economia dos municípios da Bacia de Campos. Contudo, o setor ainda movimenta R$ 110 milhões/ano, garantindo a sobrevivência de 10 mil pescadores na região e 30 mil no Estado do Rio de Janeiro.
Mas o grande lucro desta atividade está concentrado com os atravessadores, que compram o pescado no período de grande oferta e armazenam para vender no atacado durante a fase de desova, quando a pesca fica proibida. É quando aumenta a demanda pelo produto e os preços se elevam.
Sem estrutura de armazenamento e beneficiamento, os pescadores ficam com menos de 5% de todo o dinheiro movimentado pela atividade.
O levantamento é do projeto Pescarte, organizado por pesquisadores, professores e técnicos do Centro de Ciências do Homem (CCH), da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).
“Essa estimativa de comercialização é obtida no Ceasa e no mercado de peixes de Niterói. Temos que considerar que existem uma série de outros locais de comercialização que nós não tivemos acesso, portanto, a pesca gera muito mais do que isso”, explica o coordenador do Pescarte, Geraldo Márcio Timóteo. Vídeo:
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Com financiamento de R$ 70 milhões da Petrobras, o Pescarte está criando uma rede integrada pelos pescadores artesanais, que inclui programa de educação, organização econômica e criação de cooperativas com estrutura de armazenamento e beneficiamento do pescado.
O investimento contempla sete municípios: Campos dos Goytacazes, São Francisco do Itabapoana, São João da Barra, Quissamã, Macaé, Cabo Frio e Arraial do Cabo.
Nessas cidades, o projeto prevê a instalação de centro de beneficiamentos do pescado, armazenagem e unidades aquícolas de médio e grande porte, todas administradas por meio de cooperativas.
O empreendimento promete revitalizar um segmento, que apesar de movimentar uma quantia milionária, convive com estatísticas que apontam uma parcela considerável desses profissionais em situação precariedade na atividade laboral e vulnerabilidade social.
“Há uma insegurança alimentar neste segmento. Em uma pesquisa que realizamos, 68% disse ter sentido medo de não ter o que comer. Na Lagoa do Campelo, em Campos dos Goytacazes, chegamos a encontrar 52 famílias sobrevivendo da pesca. Um ano depois, com a estiagem, encontramos apenas 8. O restante tinha migrado para outras atividades nas cidades”, disse Timóteo.
INVESTIMENTO
O Pescarte é financiado por meio do Projeto de Educação Ambiental (PEA) do Ibama, e do Projeto de Compensação de Atividade Pesqueira, programas de mitigação assinado pela Petrobras em decorrência da atividade petrolífera em alto mar.
Na cidade de Campos dos Goytacazes, a região beneficiada com o investimento será Farol de São Thomé e Macaé, o projeto já conta com a destina de uma área disponibilizada pelo Incra no bairro São José do Barreto.
O Pescarte também incentiva a criação de peixes em cativeiro, produto com grande aceitação em restaurantes e supermercados. Mas o grande desafio do projeto é estruturar os pescadores para atuar desde a criação, manejo do pescado, no beneficiamento e a comercialização para aumenta a participação financeira em toda a renda movimentada anualmente pelo setor.








