*Da redação
A rede de Supermercados Superbom é o empreendimento privado que mais lucrou com o Cheque Cidadão, programa social que foi o carro chefe nos oito anos do governo Rosinha Garotinho na cidade de Campos dos Goytacazes (RJ), no Norte Fluminense.
Se 20 mil famílias ganhavam R$ 200 mensais para fazer compras, a rede de supermercados ganhava deles R$ 18 milhões por ano ao passar o cartão magnético em troca de mercadorias.
Foi um negócio formidável para o empreendimento, porque gerava um fluxo de renda mensal que chegou a representar quase 30% do que a Prefeitura gastava com o programa social.
O Cheque Cidadão foi alvo de investigações e ações judiciais na eleição de 2016, provocando a condenação da ex-prefeita Rosinha e do marido Anthony Garotinho no âmbito da Operação Chequinho. A investigação não alcançou os repasses para o comércio.
Ao assumir a Prefeitura de Campos em janeiro de 2017, diante de uma crise financeira sem precedentes e um quadro de endividamento, o Prefeito Rafael Diniz promoveu uma auditoria no Cheque Cidadão e reduziu substancialmente o número de beneficiários.
Isso, talvez, explique as mais recentes diatribes do empresário Joilson Barcelos, sócio do Superbom, em ataques contra o governo municipal. Em rodas de conversas e entrevistas, ele tornou-se um crítico da gestão Diniz e só tem poupado a família Garotinho.
Joilson Barcelos é um comerciante interiorano. É sócio de uma rede que, indiscutivelmente, conseguiu se estabelecer no mercado local. Quem conhece a trajetória de Barcelos e sabe que não tem formação na área de gestão, costuma dizer que estaria muito mais para um comerciante de sorte do que para um empresário de sucesso.
Atualmente o comerciante está construindo um Shopping Popular em Guarus, uma das regiões mais populosas do município, ao mesmo tempo em que mergulha no pântano da política local.
Sua mais recente investida neste ramo, foi o lançamento da candidatura do comerciante Marcelo Mérida (ex-secretário no governo Rosinha) como candidato à Câmara Federal em 2018. Teve 4.500 votos em Campos. Mais uma prova eloquente que democracia é uma delícia, mas para ter mandato não basta ter dinheiro, é preciso ter voto.
A mistura entre política e negócios é algo que não termina bem. Mas independente da porralouquice de um comerciante deslumbrado, a Prefeitura ainda está devendo uma auditoria, com ampla publicidade sobre o Cheque Cidadão. Ainda que não haja irregularidades nas transferências de dinheiro para o comércio (é possível que não haja), é necessário mostrar em algum momento o tamanho do benefício da rede privada com as transferências de recursos do Cheque Cidadão ao longo de oito anos. Tomara que os números não demonstrem que o Cheque Cidadão foi uma migalha para os pobres e um grande negócio para o rico.








