A prevalecer a narrativa do ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, de que os telefones das maiores autoridades brasileiras foram violados por um bando de estelionatários de Araraquara, no interior paulista, chega-se à conclusão que somos literalmente uma “república de bananas”. É surreal.
A insegurança de dados, independente da veracidade desses relatos, é um fato notório neste país de analfabetos digitais, onde até presidiários conseguem lista telefônica para perpetrar crimes.
Mesmo com bloqueadores para celulares, do interior das penitenciárias saem ordens para execuções, orientações para o comércio de drogas e extorsão via telefone.
Portanto, do jeito que as coisas estão, é possível que líderes do PCC tenham mais informações sobre o governo do que o próprio presidente Jair Bolsonaro, que assim como os maridos desavisados, é o último a saber das coisas.
Mas o bando de Araraquara tem precedentes. Antes desses estelionatários, os EUA, de forma muito mais sofisticada, violaram a privacidade de telefones e e-mails de autoridades brasileiras.
Foi durante o governo Dilma, quando o parceiro comercial estava sob o comando de Barack Obama, o que acabou por gerar um incidente diplomático entre os dois países.
Mas Obama era Obama, não morava em Araraquara. Bastou um pedido de desculpas para que tudo se normalizasse de forma que, posteriormente, o golpista Temer e o sucessor Bolsonaro voltassem a bater continência para bandeira dos senhores da colônia.
Moro também trilhou a rota das violações, quando divulgou ilegalmente interceptações telefônicas envolvendo a então presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também pediu desculpas ao Supremo e ficou na boa.
Na verdade, Araraquara é um detalhe. O que está evidente é que o ministro perdeu o rumo. Está se jogando de qualquer altura.
Ao manter relações promíscuas com Procuradores durante o julgamento da Lava Jato, Sérgio Moro foi banhar-se em águas fétidas, daquelas que quanto mais mexe, mais fede. O odor está exalando com a série de reportagem do site The Intercept Brasil.
O escândalo da Vaza Jato também é um fantasma que assombra. Provavelmente rouba noites de sono, prolongando a espera do dia seguinte. Cada capítulo que vem a tona é mais cabeludo do que o outro. O ex-juiz, com empáfia que ainda lhe é peculiar, não tem nervos de aço. Vive em pânico.
Sérgio Moro está perdendo o time. Em algum momento entenderá que chegou a hora de seguir o exemplo de Greta Garbo e sair de cena, mas até lá, sua reputação vai parar no Irajá.








