O pernambucano José Maurício do Nascimento, de 74 anos, foi um homem de voz privilegiada. Músico, cantor, compositor, poeta e humorista, conviveu com estrelas da MPB.
No Rio de Janeiro, nos tempos da Jovem Guarda, tocou e cantou com estrelas do movimento musical, como Roberto Carlos, o tremendão Erasmo Carlos, Wanderléa e outros.
Na Praça Mauá, apresentava-se todas as noites em boates. Mas foi no rádio que ele se consagrou como Conde Maurício. “Ele tinha um talento admirável, tanto como artista quanto no rádio”, lembra o radialista Nilson Maria.
Em Campos dos Goytacazes, na década de 80, passou pela rádio Cultura, 89 FM, 97 FM e chegou a apresentar telejornal na TV Norte Fluminense (hoje TV Record) ao lado de Manoel Pessanha.
Em sua casa, no bairro Fundão, em Guarus, hospedava o amigo Raul Seixas em momentos de total recolhimento. Além do talento e do bom humor, uma das características do radialista era fazer amigos, com os quais sempre mantinha contato.
O show man chegou a ser um pequeno empresário das noites, quando abriu um bar para atrair os notívagos. A experiência duraria pouco tempo, porque a vida estava traçada no rádio.
Na década de 80, Conde migrou para Belo Horizonte (MG), onde atuou em diversas emissoras de rádios. Na capital mineira fixou residência e constituiu família.
Na madrugada de terça-feira (18), Conde Maurício faleceu em decorrência de um câncer de pulmão. Enfrentou a doença com bravura. Aposentou-se no rádio, mas nos últimos tempos estava fazendo apresentações musicais e humorísticas em asilo. “Era uma distração para que não já tinha mais paciência de enfrentar o trânsito de Belo Horizonte e cumprir horários em rádio”, diz o amigo e jornalista José Maria Mattar.
Antes de morrer, pediu que o seu corpo fosse doado para estudos na Universidade Federal de Minas Gerais, desejo que foi atendido pela família. Conde Maurício deixa como viúva em Belo Horizonte, Délia Roizenbruch e os filhos Jane Marian, Júlio Marcos e Maira, todos na cidade de Campos.








