É devastador o conteúdo da reportagem do site The Intercept sobre a atuação do ex-juiz Sérgio Moro e integrantes da força tarefa da Lava Jato, em Curitiba (PR).
O site revela com exclusividade o conteúdo de mensagens trocadas entre o então o magistrado que presidia o julgamento no âmbito da Operação Lava Jato e o promotor Deltan Dallagnol na plataforma Telegram entre os anos 2015 e 2017.
A reportagem é assinada pelos repórteres Rafael Moro Martins, Alexandre de Santi e Glenn Greenwald.
As mensagens demonstram que magistrados e promotores ultrapassaram a linha divisória que deveria definir o papel da magistratura, que julga o processo; e a promotoria que cabe reunir provas e oferecer denúncia contra os réus.
As mensagens traduzem uma cumplicidade entre juiz e promotor para condenar de forma seletiva os investigados, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma relação que atropela a Constituição Federal e as normas do Conselho Nacional de Justiça.
Na série de reportagem lançada a partir deste domingo (09), o The Intercept destaca que “as conversas fazem parte de um lote de arquivos secretos enviados ao site por uma fonte anônima”.
O site também informa que “as informações foram enviadas há algumas semanas (bem antes da notícia da invasão do celular do ministro Moro, divulgada nesta semana, na qual o ministro afirmou que não houve captação de conteúdo).”
“O único papel do The Intercept foi receber o material da fonte, que nos informou que já havia obtido todas as informações e estava ansiosa para repassá-las a jornalistas. A declaração conjunta dos editores do The Intercept e do Intercept Brasil (clique para ler o texto completo) explica os critérios editoriais usados para publicar esses materiais, incluindo nosso método para trabalhar com a fonte anônima”, diz um trecho da reportagem.
Para o criminalista Fernando Augusto Fernandes, as mensagens entre Moro e Dallagnol afeta a imparcialidade nos processos, revelando uma relação criminosa de abuso do poder.
“Os diálogos vazados demonstram mais do que uma relação promíscua entre o ex-juiz e o membro do MP, afetando a imparcialidade nos processos. Revela uma relação criminosa de abuso de poder, e utilização do Estado em ações planejadas e ilegais. Isso é a descrição verdadeira de Organização Criminosa. Existem evidentes crimes funcionais e de improbidade. Se “a lei é para todos”, como propalam, as consequências serão graves”, disse Fernandes.








