*Com Sputnik
Para suprir o déficit global de comida, cientistas estão pesquisando a inclusão de insetos na dieta alimentar dos seres humanos. A estimativa é de que nos próximos 30 anos, a farinha do grilo, por exemplo, poderá substituir a proteína da carne de boi.
Para a especialista da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Giulia Muir, os insetos comestíveis poderão resolver o problema gerado pela falta de comida em algumas regiões do planeta.
“O valor nutritivo de insetos depende de qual espécie eles são, em que fase de crescimento eles se encontram e onde eles habitam, mas, em geral, são ricos em proteína, podendo ser comparados a peixes, em gorduras saturadas, que ajudam muito crianças desnutridas, e em fibra, fósforo, magnésio e zinco”, comentou Muir.
Em uma região próxima a Turim, na Itália, uma empresa se especializou no cultivo de grilos. O diretor da empresa, Ivan Albano, diz que a escala alimentar no mundo sinaliza que se não houver outra fonte de proteína até 2050, a quantidade disponível no mercado será insuficiente para nutrir a humanidade.
Ele explica por que o grilo teria tudo para entrar na nossa alimentação e destaca o benefício ambiental.
“Na natureza não há nada em forma seca que seja constituído de 60% a 70% de proteína. A produção de um quilo de proteína, recebida de insetos, resulta na emissão de 1% de dióxido de carbono na atmosfera em comparação com proteína de origem animal”, destacou o diretor Ivan Albano da Fazenda de Grilos Italiana.
Manter grilos é muito mais econômico e menos perigoso para a ecologia, porque esses insetos consomem duas mil vezes menos água do que gado e comem seis vezes menos. Albano afirma que os grilos podem entrar na dieta em forma de farinha.
Giulia Muir acredita que organizações, como a FAO, podem incluir ingredientes de insetos em produtos alimentícios.
Mas, atualmente, os insetos são depreciados e não podem ser a única solução para o problema de alimentação.
“As pessoas têm certo medo de produtos deste tipo, mas, no futuro, com o surgimento de normas precisas e a divulgação, veremos um crescimento mais rápido. Por outro lado, o fenômeno já existe. Veremos mais produtos no comércio, com possíveis ingredientes ‘invisíveis’ de insetos”, afirmou Giulia Muir.
Uma reportagem publicada pela BBC em setembro do ano passado, estimou que a demanda da humanidade por comida no mundo deve ultrapassar nove bilhões nos próximos 30 anos. Segundo a FAO, os insetos já fazem parte do cardápio de cerca de 2 bilhões de pessoas, como por exemplo, em países da Ásia.
No Brasil existem algumas tradições no consumo. As formigas içás ou tanajuras já ganharam até festivais em Tianguá, no Ceará, ou Silveiras, em São Paulo. Tem ainda o consumo das formigas maniwara na Amazônia, que remete a tradições indígenas do Alto Rio Negro.








