*Da redação
Ao fustigar a China com uma guerra comercial, o presidente dos EUA Donald Trump está brincando com fogo. O país asiático é o maior credor da dívida pública norte-americana, possuindo US$ 1,12 trilhões de dólares em títulos emitidos pelo Federal Reserve Bank (Fed, na sigla em inglês). Isso é nitroglicerina pura.
Se decidir promover uma venda massiva desses papéis, o governo chinês poderá derreter o valor do dólar no mercado internacional, dificultando o refinanciamento da dívida norte-americana.
Não custa lembrar que sem endividamento por meio da emissão de títulos, a economia dos EUA mergulhará no abismo e esses papéis só exercem atração com o dólar forte.
3 MAIORES CREDORES DOS EUA
1 – China – Até o final de 2018, o Banco Central chinês detinha títulos do Tesouro dos EUA, 28% da dívida pública norte-americana, o que equivale a 1,12 trilhões de dólares
2 – Japão – Segundo maior credor com 1,03 trilhão (25,7%).
3 – Brasil – Terceiro maior credor, com títulos no valor de 303 bilhões de dólares (7,5%).
EM BUSCA DO OURO
A maré começou a mudar, porque nos últimos anos os países estão fugindo dos títulos do Tesouro norte-americano. O investimento do Japão nesses papéis, por exemplo, atingiu seu menor valor em sete anos.
Sob pressão econômica da Casa Branca, a Rússia e a Turquia se livraram da maioria desses títulos e passaram a comprar ouro.
A China, que causa maior preocupação, nos últimos anos vendeu 13,8% dos títulos que detinha.
ENTENDA COMO FUNCIONA
Ao emitir títulos do tesouro, o governo dos EUA consegue financiar despesas públicas que estimulam o crescimento econômico. Ao mesmo tempo garante taxas de juros baixas.
A China, por outro lado, se beneficia, porque os investimentos nos títulos enfraquecem o yuan em relação ao dólar, estimulando as exportações de seus produtos para os Estados Unidos.
Ao mesmo tempo cria uma dependência financeira do concorrente comercial.
Diante da disputa comercial entre os dois países, o governo chinês tem alertado o governo Donald Trump que se as barreiras comerciais aos produtos chineses não caírem, o credor realizará uma venda massiva dos papéis.
A Casa Branca entendeu o recado. Trump e o líder chinês Xi Jinping terão um encontro em 27 de março e podem chegar a um acordo formal. No entanto, os analistas acreditam que mesmo em face de um eventual entendimento entre os dois países, Pequim continuará se livrando da dívida pública dos EUA.
Para o diretor da BlackRock, Laurence Fink, uma das razões dos investimentos da China na dívida pública americana é o superávit comercial com os EUA. Se o país asiático for obrigado a diminuir esse superávit, os investimentos nos títulos também sofrerão uma queda, o que, por sua vez, levaria à desvalorização da moeda americana.
A BlackRock é a maior empresa privada de investimentos no mundo. O mercado entra em pânico só de imaginar um movimento brusco do governo chinês, porque a venda massiva de títulos norte-americanos promoveria uma intensa volatilidade do dólar e arrastaria a economia global para o fundo do poço.








