Entenda o escândalo que abala a reputação do médium que conquistou admiradores no Brasil e no exterior:
*Reportagem Especial
No epicentro das denúncias de abuso sexual contra dezenas de mulheres, o médium João de Deus está abatido, mas o atendimento continua no Centro Espiritual Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO).
O médium não demonstra disposição de paralisar o atendimento a milhares de pessoas que viajam semanalmente a pequena cidade de 12 mil habitantes, que fica a 110 quilômetros de Brasília (DF).
Nesta terça-feira (11), os funcionários do centro espírita preparam o local para atendimento nos próximos três dias, quando poderão sentir os reflexos do escândalo publicitário deflagrado por uma reportagem do programa Conversa com Bial, na TV Globo.
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*Vídeo: Youtube com mais de 600 mil visualizações
O PROGRAMA DA TV GLOBO VEICULOU DEPOIMENTOS DE MULHERES QUE SE DIZEM VÍTIMAS DE CRIMES SEXUAIS PRATICADOS PELO MÉDIUM.
“Ele está triste, mas está bem. E, no momento certo, vai falar [sobre as denúncias]”, comenta Edna Gomes, assessora de imprensa da Casa Dom Inácio de Loyola, em entrevista a Agência Brasil.
A assessora afirmou que João de Deus “chorou diante da repercussão das notícias, mas está convencido de que esclarecerá os fatos”.
Edna Gomes aponta algumas inconsistências nos depoimentos das mulheres. Algumas, por exemplo, falam em abusos cometidos durante o atendimento individual. Ao mostrar as instalações do centro espírita aos jornalistas que chegam à cidade para acompanhar os desdobramentos das denúncias, ela assegurou que o médium não atende ninguém individualmente, em ambiente separado.
“O seu João sempre foi um homem muito respeitador. Conhecendo-o, você percebe que há coisas impossíveis [nos relatos]. Ele mesmo diz que nunca foi santo, mas, neste sentido, não há nada [que o desabone]”, disse a assessora, lembrando que o médium já foi inocentado de denúncias anteriores semelhantes.
“A última vez que falei com ele foi ontem. Ele está chateado, claro, mas está bem. É muita coisa ao mesmo tempo”, afirmou Francisco Lobo, um dos secretários da casa.
“Vamos ter que esperar peneirar para ver o que fica [das denúncias]”, acrescentou o secretário, que já foi vice-prefeito da pequena cidade e hoje atua com voluntário da estrutura montada ao redor do médium.
O QUE FAZ O CENTRO ESPÍRITA DE JOÃO DE DEUS
A Casa Dom Inácio de Loyola mantém a Casa da Sopa, um trabalho social que serve refeições, oferece atendimento odontológico e outros serviços à população carente, como doação de material escolar e alimentos.
A existência do centro espírita movimenta a economia da pequena cidade, proporcionando ocupação de hotéis, pousadas, além de vendas em bares e restaurantes frequentado por turistas estrangeiros e brasileiros de outras regiões do país.
“A renda per capita do município praticamente depende do João. Há 83 pousadas em funcionamento, algumas com até 200 quartos. Enquanto a cidade tem pouco mais de 12 mil moradores, a população flutuante mensal ultrapassa 20 mil pessoas. São entre 3 mil e 5 mil atendimentos semanais”, afirmou Lobo, o que explica o “carinho” que parte da população demonstra sentir pelo médium.
CASA MANTÉM DEZENAS DE FUNCIONÁRIOS
A casa funciona há 40 anos no mesmo local e tornou Abadiânia famosa internacionalmente. São 40 funcionários com vínculos empregatícios e 30 voluntários assíduos, mais os colaboradores que aparecem esporadicamente.
Nas imediações do centro é grande a presença de estrangeiros. Na manhã desta terça-feira (11), turistas franceses lotavam o salão de café do hotel mais próximo ao centro espírita. Nas ruas, é possível ouvir pessoas conversando em inglês, alemão e espanhol.
Estima-se que cerca de 25% dos frequentadores são estrangeiros. São os permanece, mais tempo na cidade.
MINISTÉRIO PÚBLICO CRIA FORÇA-TAREFA
O Ministério Público de São Paulo anunciou a criação de uma força-tarefa com seis promotores e uma equipe de apoio para apurar denúncias contra João de Deus. Três mulheres serão ouvidas por dia até sexta-feira (14). O órgão entra em recesso, e as oitivas retornam em 7 de janeiro.
A promotora da Justiça e defensora das mulheres, Maria Gabriela Prado Manssur, afirmou que um grupo de 200 mulheres se manifestou sobre abusos praticados pelo médium. Além disso, foram recebidos 12 relatos por e-mail e 40 por redes sociais em São Paulo. Todas as mulheres serão ouvidas em sigilo e não terão as identidades divulgadas.
A Polícia Civil e o Ministério Público de Goiás (MP-GO) também anunciaram a criarão forças-tarefas especiais para apurar as denúncias.








