População desempregada não consegue se colocar no mercado. Comércio, o maior empregador no final de ano, deve contratar menos |
Da redação com Reuters |
A parcela da população brasileira que está em busca de um emprego cresceu a uma taxa recorde no terceiro trimestre deste ano – no período compreendido entre agosto e outubro – comparada com igual período de 2014, chegando perto de 9 milhões de pessoas. É um indicativo de que a recessão no país está provocando maior busca por vagas no mercado de trabalho e perdas de rendimento.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) divulgada pelo IBGE eferente ao último trimestre mostrou que a população desocupada – aqueles que tomaram alguma providência para conseguir trabalho -, saltou 33,9% em relação ao terceiro trimestre de 2014, recorde para a série iniciada em 2012, o que significa 2,274 milhões de pessoas a mais procurando uma vaga, somando ao todo 8,979 milhões.
Em relação ao segundo trimestre, o aumento foi de 7,5%, ainda segundo a Pnad Contínua, divulgada na terça-feira (24/11) pelo IBGE.
Diante desse cenário, a taxa de desemprego medida pelo levantamento subiu a 8,9% no trimestre passado, renovando o maior patamar histórico pela quinta vez seguida na pesquisa.
No segundo trimestre deste ano, a taxa havia ficado em 8,3%, chegando a 8,7% no trimestre até agosto. A leitura também mostrou forte piora em relação ao terceiro trimestre do ano passado, quando o desemprego estava em 6,8%.
“As pessoas estão perdendo emprego e tentando se realocar. Há uma dificuldade para se recolocar no mercado”, disse o coordenador da pesquisa no IBGE, Cimar Azeredo.
A expectativa em pesquisa da Reuters junto a economistas era de que o desemprego chegasse a 8,9% no terceiro trimestre.
MERCADO ESTAGNADO
Neste ano o mercado de trabalho não vem conseguindo gerar vagas, ao mesmo tempo em que enfrenta aumento da procura por trabalho num ambiente de inflação e juros elevados que provoca insegurança nos empresários.
Ainda segundo a Pnad Contínua, a população ocupada registrou queda de 0,1% nos três meses até setembro sobre o trimestre anterior, atingindo 92,090 milhões de pessoas, e recuo de 0,2% sobre o mesmo trimestre de 2014.
O IBGE adota a comparação com o trimestre imediatamente anterior ao período anunciado para evitar repetição de dados.
O nível de ocupação, que mede a parcela da população ocupada em relação àquela em idade de trabalhar, caiu a 56% no trimestre até setembro, contra 56,2% nos três meses até junho.
Em relação à renda média real habitual, houve recuo de 1,2% no terceiro trimestre sobre o segundo, e estável sobre o mesmo período de 2014, para 1.889 reais.
Diante da recessão no país, agravada por indefinições fiscais e crise política afetam as decisões de investimento, nem mesmo o período de fim de ano deve dar algum alento.
“Até a virada do ano ainda tende a piorar. O comércio, de onde vem a maioria das contratações temporárias no Natal, está muito fraco e não deve haver melhora como em outros anos”, disse a economista da CM Capital Markets, Jessica Strasburg.
Pesquisa Focus do Banco Central junto a uma centena de especialistas aponta que a contração do Produto Interno Bruto (PIB) projetada para este ano é de 3,15% e de 2,01% em 2016.
Na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, que leva em conta dados apurados apenas em seis regiões metropolitanas do país e será substituída pela Pnad Contínua no começo do próximo ano, a taxa de desemprego chegou em outubro a 7,9%, maior nível para o mês desde 2007.








