Produção em alta nos EUA deve equilibrar preços, mas país precisa superar carência de gasodutos para escoar produção no Texas;
O aumento na produção de xisto deve permitir que os Estados Unidos supere a produção de 12 milhões de barris petróleo/dia (bpd) antes do previsto. A estimativa é da Agência Internacional de Energia (EIA, na sigla em inglês), no informe da última semana. Mas na região do Texas, grande produtora, falta gasoduto para escoar a produção.
A previsão é que a produção de petróleo bruto aumente para 12,1 milhões de bpd, acima da previsão de 11,8 milhões bpd publicada no Panorama Energético de Curto Prazo (STEO, na sigla em inglês) divulgado pela Agência em outubro.
A produção de petróleo bruto do país já atingiu um novo recorde mensal de 11,3 milhões de barris/dia, em agosto deste ano, superando o patamar de 11 milhões de barris/dia pela primeira vez. A produção em agosto foi de 290.000 de barris/dia acima do esperado no STEO de outubro. Foi esse nível de produção que elevou as estimativas da EIA para 2019.
PRODUÇÃO DEVE ACELERAR NO PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2019
Analisando as previsões do último STEO de outubro, a Agência agora acredita que produção de petróleo bruto atingirá a marca de 12 milhões de barris / dia já no segundo trimestre do ano que vem, em vez do quarto trimestre, como foi previsto anteriormente.
Para este ano, a EIA elevou sua previsão de produção em 1,5% em comparação com o STEO de outubro. Para 2019 elevou a estimativa em 2,6%, ou seja, de 11,76 milhões de bpd para 12,06 milhões de bpd.
PAÍS CORRE CONTRA O TEMPO PARA AMPLIAR REDE DE GASODUTOS
As previsões otimistas para a produção norte-americana vieram acompanhadas de uma revisão nas projeções para os preços do petróleo em 2019. Se prevalecer o cenário traçado em novembro deste ano, a Agência prevê a cotação do petróleo tipo Brent no patamar de US$ 72 o barril em 2019, em média US$ 3 abaixo do previsto anteriormente.
Já para o petróleo extraído nas montanhas rochosas dos EUA, a Agência estima que fique em média no patamar de US$ 65 no ano que vem.
“As previsões mais baixas para o preço do petróleo bruto são em parte resultado da maior produção de petróleo nos Estados Unidos no segundo semestre de 2018 e em 2019, o que deve contribuir para o crescimento do estoque global e pressionar os preços para baixo ”, diz a EIA.
A produção dos EUA crescerá apesar das atuais restrições de capacidade de produção na Bacia Permiana, no oeste do Texas, que começaram a desacelerar o crescimento e aumentar o desconto para o petróleo das Montanhas Rochosas do meio oeste. No entanto, a maioria dos executivos e analistas de petróleo avaliam essas restrições como temporárias e acreditam que comece a diminuir no segundo semestre do ano que vem.
No final de outubro, o Banco Mundial também avaliou que os aumentos do preço do petróleo mundial em 2019 serão modestos, já que as restrições de produção em algumas regiões dos EUA tendem a ser superadas. A instituição trabalha com a expectativa de que o preços do petróleo tipo Brent aumentem para US$ 74 o barril em 2019, ante a projeção de US$ 72 por barril no final deste ano.
Para 2020, o Banco Mundial avalia a cotação em US$ 69. Os gargalos da Bacia Permiana na região texana “deverão durar até 2019, quando, até o final do segundo semestre, a nova rede de gasoduto deve entrar em operação, embora as obras para construção de alguns novos gasodutos tenham sido mais rápidas do que o esperado”.
Em relatório publicado no ano passado, a agência Moody’s Investors Service destacou que a escassez de oleoduto na Bacia Permiana deveria limitar os volumes de exploração e produção (E & P) e enfraquecer os preços até o final do ano que vem, quando a maioria dos novos oleodutos entrariam em operação.
“É impossível que a capacidade do gasoduto para transportar petróleo e gás natural para mercados fora da Bacia Permiana seja suficiente no início de 2019, dado o forte aumento na produção na região”, disse James Wilkins, vice-presidente sênior de análise da Moody’s.
*Agência VIU! com RT








