Livro do cronista do Portal VIU ONLINE, João Vicente Alvarenga, resgata história das artes cênicas em Campos dos Goytacazes. Lançamento está marcado para o dia 4 de dezembro |
Do Caderno D | O Diário | Texto e foto: Patrícia Bueno |
A sequência de poltronas vermelhas recebe um leve banho de luz, resultado da claridade que vem da entrada principal do Teatro de Bolso Procópio Ferreira. É neste cenário que o professor, poeta, ator e escritor João Vicente Alvarenga mata um pouco a saudade do ambiente que é parte de sua vida. Sua paixão pelo teatro o moveu a escrever, há 22 anos, “Três atos da história do teatro em Campos”, um recorte importante das artes cênicas no município. Agora, João se prepara para um novo ato: a reedição da obra pela editora Autografia.
“O livro foi escrito em um período de três anos. Nesse tempo, fui pesquisando, reunindo dados, depois fiz a leitura do material. Um dos propósitos era fazer um corte temporal, trabalhando com as décadas de 60, 70 e 80 e acabei estendendo um pouco, até início de 1990”, conta.
Obrigatório na prateleira de quem se interessa pelo tema, o livro traz à cena as glórias e as agruras vividas pelos profissionais do palco. “Campos chegou a ter cinco grandes teatros, suntuosos como o São Salvador, que recebeu a visita e Dom Pedro, mas o forte não era a produção local. Esses teatros abrigavam as companhias do eixo Rio/São Paulo que faziam temporadas”, observa.
É claro que o livro não poupa acontecimentos como o marcou a década de 70: a demolição do Teatro Trianon. “Ela aconteceu no ano em que a gente promovia um grande festival de teatro infantil. Foi realmente muito triste”, relembra o autor, que também inclui em sua publicação a ascensão e lutas da classe artística. Dedica atenção especial também à criação do Teatro Escola de Cultura Dramática, em 1972, por Orávio De Campos, que motivou o surgimento de nomes como Ricardo e Tânia Pessanha, Kapi, Felix Carneiro e outros que foram se tornando agentes transformadores de uma geração.
“Três atos da história do teatro em Campos” analisa a arte levando em conta o contexto histórico e político, mencionando, por exemplo, as restrições impostas pelo Regime Militar. Lança luz sobre as lideranças do teatro-escola e ações ousadas como o transformismo em cena. “Na década de 80, tivemos vários festivais, o surgimento do teatro abordando temáticas voltadas para a cultura negra, enfim, foi um movimento muito bom de inovação”, diz.
Lançamento na Villa Maria
A sala de espelhos da Casa de Cultura Villa Maria foi o local escolhido para o lançamento, marcado para o dia 4 de dezembro. Enquanto isso, João aposta na pré-venda, ou seja, a pessoa paga o valor do livro (48 reais) e garante antecipadamente seu exemplar e o lugar na fila de autógrafos. A obra original tem 252 páginas. A reedição vem mais encorpada. “Revisei os fatos. Procurei olhar o momento atual com base em registros históricos que se desencadearam ao longo do tempo”, observa João, que também é autor de um livro de poesias: o “Ato 5”.
A ideia de escrever um livro sobre teatro ficou latejando em sua cabeça quando foi solicitado por uma aluna a responder um questionário sobre o tema. A partir daí, ele começou o trabalho de garimpo e não mais saía de casa sem seu gravador. E o trabalho investigativo continua. Atualmente ele se debruça sobre a saga do dramaturgo italiano Pirandello, para uma dissertação de mestrado, que também vai virar livro, assim como contos e artigos (sobretudo os que escreve todas as sextas no Jornal O Diário).
João Vicente está de volta à cena literária, mas é hoje um personagem da vida. ”Estou fora dos palcos, mas, uma vez ator, sempre ator. Hoje atuo melhor na vida real”, filosofa. A reedição do livro é prova de que o teatro nunca saiu dele. Soube disso quando o vi brincando com as pesadas cortinas do Teatro de Bolso ou bem à vontade posando para foto, sentado sobre o tablado em que tantas vezes pisou como ator.








