Prepare-se para ler um daqueles livros que a gente começa e não larga enquanto não chegar ao fim. O romance histórico do Cony sobre Getúlio Vargas me faz lembrar dos livros de Stefan Zweig, entre eles Maria Antonieta, Fernão de Magalhães, A Cura pelo Espírito e outros que me envolveram e encantaram […]
(Heródoto Barbeiro [Jornalista]
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Fonte: Youtube
A pessoa do Presidente Getúlio Vargas nos é retratada com muito rigor, a fim de que sejamos realmente convencidos de que ele fora um dos mais importantes políticos brasileiros de todos os tempos. Cony faz Getúlio renascer narrando-nos sua saga. Com pesquisa e veracidade, o autor nos leva durante toda a narrativa dos fatos romanceados a querer sempre mais.
Agosto de 1954: “Revelando coragem e dedicação não só à causa pública como à pessoa do presidente, a quem se afeiçoara, Tancredo Neves, Ministro da Justiça, tornou-se o amigo da hora incerta” (p. 208). Recomendado por Juscelino Kubitschek, atento aos problemas que a grave crise política e a grave crise pessoal em que o presidente se debatia. Tancredo era um homem de energia. Porém, parecia não ter mais em mãos o aparelho da justiça pois a crise se avolumara a tal ponto que “já não havia ordem legal no país” (p. 208). Sempre ao lado do presidente, poderia afirmar que daria a vida por ele.
O mês de agosto de 1954 não mostrava nenhuma melhora que a dos meses anteriores com um agravante: a perspectiva de haver um pleito eleitoral marcado para outubro e a agitação dos meios políticos parecia normal, mas o governo Vargas desde sua posse sobrevivera de crise em crise. Sabe-se que desde antes de sua posse já havia conspirações e ciladas “para impedir ou derrubar Getúlio Vargas do poder” (209).
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Fonte: Youtube/EBC
Protagonista da tragédia a ser anunciada, o antagonista jornalista Carlos Lacerda faria uma conferência no Externato São José sobre o tema “quem era mais ladrão: se o Sr. Lutero Vargas ou o Sr. João Cleofas. Quem iria para o inferno: o Sr. Getúlio Vargas ou o brigadeiro Eduardo Gomes. Quem era mais bonito: o Sr. Juarez Távora ou o Sr. Lourival Fontes” (p. 209). O anúncio da conferência foi um estopim! Publicado pela Tribuna da Imprensa, tal anúncio foi recortado e entregue a um desconhecido de nome Alcino, pistoleiro profissional., categoria profissional ainda não prevista na CLT, entre tantas outras, mas prática comum numa cidade do Estado do Rio de Janeiro, mundialmente famosa pelos “tiroteios que lhe povoavam o cemitério”. Era Caxias. O pistoleiro fora contratado a mando de prepostos do deputado udenista Tenório Cavalcanti, homem forte e liderança política dessa cidade.
Alcino recebera, afinal, o anúncio recortado do jornal e as últimas e sumárias instruções a respeito: – É hoje! Fora contratado por um tal Soares, outro marginal que frequentava as vizinhanças de Caxias, São João de Meriti e outras cidades da Grande Rio. A versão oficial sobre o crime da Toneleros, que até hoje persiste, começou com os bandidos indo de táxi até a esquina da Paula Freitas, em Copacabana, três metros além da esquina com a rua Toneleros, onde morava Carlos Lacerda, “com a frente do veículo voltada para a rua Barata Ribeiro” (p. 214). “Alcino portava um baita 45, arma militar” (Idem). Escolhia, do outro lado da calçada, o melhor ângulo para os disparos, que só poderia saber com a chegada de Lacerda. Ficou à espreita. Passou cinco vezes pelo trecho onde achava, na certa, o jornalista saltaria do carro. Rua escura. Sem movimento. Ele sabia que seria naquela hora ou nunca. Dez minutos depois, um carro parou em frente ao prédio e dela saltaram três pessoas. Conversavam e iam mas voltavam e retomavam a conversa. As mãos do Alcino pesaram. Atravessou a rua, chegou aos, abriu o paletó. Parecia não ter pressa. Movimento de surpresa dos três. Até que com mão rápida fez a “arma brilhar na escuridão e fez fogo. Descarregou o revólver!
Na edição do dia 6 de agosto de a Tribuna da Imprensa publicou a versão do incidente, segundo Cony, “dada pela vítima sobrevivente.”
Estávamos os três na calçada (major Vaz, meu filho e eu) quando notei um homem pardo que se aproximava e, na distância de cinco metros, abriu o paletó e disparou seu revólver em cima de nós. Imediatamente, outros tiros foram disparados de outra direção, numa fuzilaria infernal (p. 215)
Lacerda fora ferido no pé, seu filho havia sido jogado por ele para dentro da garagem e havia um corpo estendido no chão da calçada. Em suas memórias, Lacerda escreveu outra versão, fazendo da sua primeira uma versão oficiosa, e da segunda, publicada em Manchete, de 17 de agosto de 1967 abriu polêmica. De qualquer forma, em ambas havia um cadáver estirado na calçada. Assim, Lacerda se refere ao incidente como crise de Toneleros. Com a prisão de Climério, ex-membro da guarda pessoal de Getúlio, chegou-se a Gregório, ao Catete, a Getúlio. O elo da oposição, planejado estava “consumado, perfeito, indestrutível.”
24 de agosto de 1954 –Zero Hora – sozinho, no quarto quase monástico do terceiro andar do Palácio de Catete, Getúlio Vargas olha distraidamente o relógio de um velho móvel. […] Dia duro e conflituoso. Pressente que nas próximas horas terá que tomar a decisão mais importante de sua vida. […] Tem mais de setenta anos, um passado repleto de vitórias e amarguras. […] Apenas aguarda sua hora. […} Redigira, dias antes, durante um despacho, o pequeno bilhete que serviria de introdução ou de encerramento a um documento posterior. “À sanha dos meus inimigos deixo o legado de minha morte.” (p. 216/217)
Depois de uma reunião com seus ministros, pensou em licenciar-se do cargo. A situação política-militar piorara. Ele já tinha na boca, “o gosto do sangue, misto de morte e vitória” (p. 248). Atravessou o corredor. Foi ao terceiro andar e entrou no seu pequeno gabinete. Colocou a cópia da carta à mesa pequena de cabeceira. Dera uma cópia da carta-testamento a João Goulart.
Aperta o gatilho. Alguma coisa treme em seu corpo, como se um raio o tivesse penetrado, levando-lhe calor e claridade. Por um instante não sente nada. As mãos queimam – é a única dor que sente. Há uma dormência no peito que não chega a doer só isso. […] Aproxima-se da eternidade – ou do nada – e sente-se íntegro, a morte coroa a sua enigmática vida com um enigma maior e mais seu. (p.248)
Depois da derrocada de Getúlio com sua trágica morte, outros presidentes e regimes caíram. O Brasil não está longe dessa história. De forma parecida, vivemos um golpe e todos conhecem perfeitamente a sigla – CIA – uma máquina infernal, que com muitas façanhas nas costas, depôs presidentes, invadiu Cuba e atua até hoje na Grécia, Turquia, Argentina, Nicarágua, El Salvador, no Brasil, em 1964 e HOJE, na derrubada de Allende, no Chile. E o dólar dispara. Neocolonização ou neocolonianismo? SALVE A LATINAMÉRICA! VIVA O BRASIL! ABAIXO QUALQUER TIPO DE GOLPE! VIVA GETÚLIO VARGAS! VIVA O TRABALHO DURO E HONESTO DO POVO BRASILEIRO!








