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Brasil é fábrica de desemprego

redacao Por redacao
24/08/2018 - 10:25
em Economia
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Foto: Reprodução

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Entre 2015 e 2016, setor de serviços e pequenos negócios perderam 410 mil empregos; diz pesquisa do IBGE

O setor de serviços não financeiros (manicure, pedicure, bares e restaurantes, entre outros) tinha em 2016 mais de 1,3 milhão de empresas ativas, o que gerou uma receita operacional líquida de R$ 1,5 trilhão e foi responsável pela ocupação de 12,3 milhões de pessoas, uma média de 9 pessoas por emprego.

Os dados constam da Pesquisa Anual de Serviços (PAS) 2016, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje (24), no Rio de Janeiro.

O total de salários, retiradas e outras remunerações dessas empresas foi de R$ 327,6 bilhões, com um rendimento mensal médio por trabalhador de R$ 2 mil.

No entanto, como consequência direta da crise, o estudo contabilizou 410.489 postos de trabalho a menos do que em 2015, uma queda de 3,2%.

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O segmento que mais contribuiu para esses resultados foi o de serviços profissionais, administrativos e complementares, que possuía a maior participação no pessoal ocupado, e que fechou entre 2015 e 2016 com recuo de 3,5% no número de postos de trabalho.

Realizada desde 1998, a PAS, que retrata as características estruturais da oferta de serviços não financeiros no Brasil, mostra que o setor apresenta elevada participação no Produto Interno Bruto – PIB – a soma do total de bens e serviços produzidos no país – e é um importante instrumento no planejamento das ações do governo e das empresas.

Se o rendimento médio por trabalhador foi de R$ 2.048 em 2016, foram as empresas dos serviços de informação que registraram a maior média salarial, com R$ 4.119 mil, enquanto os serviços prestados às famílias apresentaram a menor média: R$ 1.288 mil.

Em relação à massa salarial, serviços profissionais, administrativos e complementares tiveram a maior participação, respondendo por 35,8% da massa salarial do setor de serviços.

A maioria das empresas tinha também como principal atividade os serviços profissionais, administrativos e complementares, que absorviam 32,1% do total dessas empresas, seguido pelos serviços prestados principalmente às famílias (30,0%) e transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (14,7%);

Eram ainda as empresas ligadas aos serviços profissionais, administrativos e complementares que concentravam a maior parcela de pessoal ocupado, com 39,9% do total, vindo, a seguir, serviços prestados às famílias (22,6%) e transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (20,4%).

Dentre os segmentos analisados, foram as empresas de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio que se destacaram ao responder pela maior parcela da receita operacional líquida (28,3%), seguidas por serviços profissionais, administrativos e complementares (27,8%) e serviços de informação e comunicação (22,5%).

RESULTADOS POR REGIÃO

Regionalmente, o Sudeste apresentou a maior concentração de empresas: 57,2%; da receita bruta de prestação de serviços (64,8%); de salários, retiradas e outras remunerações (64%) e de pessoal ocupado (57,6%).

No resultado por estados, São Paulo teve a maior participação na receita bruta, com 42,1%, seguido por Rio de Janeiro (13%) e Minas Gerais (7,4%).

Mas foi Mato Grosso, com 0,66 ponto percentual, que obteve o maior ganho de participação no período 2007/2017, seguido de Santa Catarina (0,48) e Paraná (0,34). Já as maiores perdas ocorreram na Bahia (0,318 ponto percentual), Minas Gerais (0,318) e São Paulo (0,318).

O total de empregos no setor cresceu até 2014, quando somou 12,9 milhões de postos de trabalho. Em 2015 e 2016), o emprego entrou em queda e acumulou perdas de 5,3%, o equivalente a 686,5 mil vagas.

EFEITOS DA CRISE

A queda de 3,6% no Produto Interno Bruto em 2016 levou a economia brasileira a apresentar trajetória negativa em todos os grandes setores de atividade: agropecuária, indústria e serviços.

De uma maneira geral, observou-se um comportamento de retração da atividade econômica tanto do ponto de vista da oferta quanto da demanda, o que influenciou o setor de serviços que depende dos estímulos das famílias e empresas. O único componente da demanda que apresentou resultado positivo foi a exportação de bens e serviços, que cresceu 1,9%.

Em decorrência da crise, o estudo revelou que o setor de serviços não financeiros teve retração de 3,4% em termos reais em sua receita operacional líquida, e a massa salarial acusou queda real de 4,2%, acompanhada por uma variação negativa de 3,2% do número de postos de trabalho mensurados em 31 de dezembro daquele ano.

Esta queda real de 3,4% da receita operacional líquida no total da PAS foi influenciada pelo desempenho do segmento de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, cuja contribuição para a variação da receita foi de -2,6 ponto percentual. A queda apurada nesse segmento foi de 8,7% em 2016.

O IBGE informou que a atividade de transporte rodoviário de carga foi a que mais contribuiu individualmente para a queda da receita operacional líquida de 1,5 ponto percentual no setor de serviços, apresentando redução real de receita de 13,5%.

A retração da atividade, que começou em 2015 e se aprofundou em 2016, está relacionada à crise econômica que resultou em menor demanda tanto para o escoamento da produção quanto para a circulação das mercadorias.

*EBC

Tags: #ServiçosDesempregoIBGE
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