Para a filósofa Isabel Monal, a teoria de Karl Marx não foi superada, a revolução cubana deu um passo evolutivo e o marxismo é forte na vida acadêmica brasileira;
*Reportagem Especial
“O marxismo não foi superado por nenhuma outra teoria socioeconômica”, segundo a renomada doutora em filosofia, a cubana Isabel Monal. Na preparação para o MARX 200, uma conferência internacional que reunirá especialistas sobre o tema, em Londres, no dia 5 de maio, para marcar o aniversário de 200 anos do pensador alemão Karl Marx, a intelectual cubana conversou com a reportagem sobre a relevância do marxismo para o mundo de hoje.
Ela admite que a queda do bloco comunista do Leste Europeu foi “um golpe terrível” na teoria e na prática do marxismo. Nesse meio tempo, mostrou que o marxismo não está escrito em pedra. Pelo contrário, é um trabalho em progresso, “em permanente evolução com retificações, enriquecimento e apropriação de novos conhecimentos, colhidos de estudos e experiências históricas recentes”, disse ela. Cuba, por exemplo, contribuiu criando “um novo sistema, um novo tipo de democracia, que não é perfeito, mas é novo e abre um caminho para o desenvolvimento”, disse Monal, de 83 anos.
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Entrevista ao Programa Provocações, TV Cultura em 2012 | Fonte: Youtube
REFORMAS EM CUBA
O atual programa de reformas de Cuba é uma evidência do processo evolutivo do marxismo, “uma evolução da sociedade anterior – não uma negação do que fizemos até agora, mas um salto de desenvolvimento”, disse a acadêmica, formada pela Universidade de Havana e Harvard, entre outras.
Além disso, a ilha caribenha representa “o único caso de mudança na América Latina onde as massas populares assumiram o poder”, disse Monal.
Em outros lugares da região, como a Venezuela, a esquerda reivindicou posições de liderança, “mas nunca tocou no poder econômico, que continuou a funcionar da mesma maneira”, observou ela.
Transformar o sistema neoliberal subjacente é um grande desafio para os países das Américas, disse ela. “Hoje um dos problemas na América Latina é a presença do imperialismo em aliança com grupos oligárquicos nacionais”, disse a estudiosa.
Em alguns países da região, como o Brasil, o marxismo tem presença zero na vida política, embora seja uma presença “invejavelmente forte” na vida acadêmica, segundo Monal, que foi funcionária da Unesco em Paris de 1980 a 1991, como especialista no Programa de Ensino Superior.
Monal, agora diretora da revista “Marx Now”, uma publicação bienal do Instituto de Filosofia da Universidade de Havana, descreve Marx como “o maior pensador, o homem que mais influenciou a história mundial até hoje”.
Na MARX 200, organizada pela Biblioteca Memorial Marx, Monal participará de pelo menos dois painéis de discussão, incluindo Marx e desenvolvimento humano, e Marx e o presente.
*Agência VIU! com Xinhua








