Intervenção no RJ traz risco de promover banho de sangue; Ex-prefeito de Casimiro de Abreu alerta para efeito colateral: interiorização da criminalidade;
O que o Exército vai fazer durante a vigência do decreto de intervenção de Temer no Rio de Janeiro? Vai matar. Não se trata de especulação, é uma leitura da doutrina.
A atuação das Forças Amadas se difere completamente da doutrina da Polícia Militar. A primeira trabalha para anular o inimigo em ambiente de conflito (executar), enquanto que a PM, em tese, tem foco na prisão e apreensão. Execução só em caso de resistência.
Não é exagero imaginar, portanto, que o Rio de Janeiro enfrenta o risco de viver um banho de sangue na capital, com as Forças de Segurança encarando as comunidades (negros e pobres, em sua maioria) como nações inimigas. PRONUNCIAMENTO:
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Fonte: Youtube
O RIO DE LÁGRIMAS
O Rio de Janeiro vive uma situação peculiar em sua história. O Estado contaminado pela corrupção que não nasceu em tempos recentes, é bom que se diga, está falido por uma série de fatores. Sucumbiu à corrupção, mas também foi atingido por uma crise econômica devastadora, queda de arrecadação e desaparelhamento que deixou visível a face de um ente federativo servindo aos grandes interesses privados. Uma promiscuidade que tem o MDB, partido do presidente Temer, como abre alas. O que se pode chamar de desordem política e administrativa sob a égide do partido do governo que pariu a intervenção, cuja a constitucionalidade já é tema de debates.
A falta de dinheiro nos dias atuais retirou o véu que cobria a farra de isenções tributárias para grandes empresas acobertadas sob o “guarda chuva” da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), assim como evidenciou o esquema de propinas patrocinado pelo setor de transportes coletivos. Foi o festim da turma do “pato amarelo” e financiadores das paneleiras. Um mar de lama que corria diante do silêncio (para não dizer cumplicidade) dos órgãos de controle externo.
“Dia de muito, véspera de nenhum”, diz o ditado popular. O Estado que abriu mão de receitas em tempos de arrecadação turbinada por royalties do petróleo, sentiu falta para manter serviços básicos em tempos de crise. O dinheiro literalmente sumiu, faltando até para cobrir a folha de pagamento de servidores e serviços essenciais, como segurança pública.
A situação é tão dramática, que os carros terceirizados da PM deixam de circular por falta de combustível. Enquanto isso, o dinheiro que entra, prioritariamente, é arrestado para garantir salários do judiciário (os mais altos do país) Ministério Público, Assembleia Legislativa e Tribunal de Contas. Isso por decisão em caráter liminar do ministro do STF, Dias Tóffoli. O conjunto de todo o funcionalismo, incluindo aposentados e pensionistas, por outro lado, entra na fila de espera.
TROPA DE PANELA VAZIA
O Estado que espera o general Walter Souza Braga Netto, interventor nomeado por Temer, vai lhe confiar uma tropa de 44 mil homens da policia estadual completamente desmotivada. Os salários estão atrasados. A PM e a Polícia Civil ainda não pagaram o 13º salário de 2017. Sem contar o desaparelhamento ante ao arsenal e poder de mobilidade dos criminosos.
O Rio de Janeiro já assistiu a este filme no governo Cabral. O exército entrou nas comunidades, os principais criminosos saíram de férias para o litoral nordestino, região dos lagos e outras cidades do Norte Fluminense, e retornaram logo depois ocupando as mesmas funções e mantendo o domínio sobre os mesmos territórios.

É interessante observar neste tópico a análise do ex-prefeito de Casimiro de Abreu, Antônio Marcos, sobre a interiorização da criminalidade como efeito colateral direto desta intervenção na capital:
“Quando aconteceram os grandes eventos no município do Rio de Janeiro, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, a vinda das Forças Armadas no auxílio da segurança espantou boa parte da bandidagem para o interior do Estado. Será que as nossas autoridades locais/regionais já se organizaram para cobrar do Governo do Estado providências para esse segundo momento? Caso contrário, este problema apenas será transferido da capital, levando ainda mais insegurança para os moradores do interior”, alerta.








