Desastre ambiental persiste na Lagoa de Imboassica, na cidade de Macaé-RJ;
*Por Matinho Santafé
A mortandade de peixes (na cidade de Macaé-RJ)nesta época tornou-se um evento tão previsível como a rabanada na ceia de Natal e a queima de fogos na Praia dos Cavaleiros. Só que, ao contrário dos dois últimos, incita protestos da população e pode ser incluído nos subprodutos gerados pela euforia do petróleo, cuja fase áurea passou, mas que alguns insistem em reviver.
Dessa lista figuram, ainda, as ruínas do Ginásio Poliesportivo, do Parque da Cidade, o VLT(ou Metrô Macaé, para os que têm boa memória) e, mais recentemente, do Hotel Imbetiba, verdadeiros monumentos à incompetência generalizada. Se forçarem a memória, tem muito mais…!
Fonte: Facebook
A degradação quase irreversível da Lagoa de Imboassica começou a ser configurada no final da década de 1970, quando o órgão ambiental fluminense concedeu licença suspeitíssima para o aterramento de quase 1/3 de sua área, onde em seguida seria erguido o loteamento Mirante da Lagoa. Foi uma das maiores agressões ao meio ambiente já ocorrida em Macaé nos últimos 40 anos. Depois disso vieram as moradias e as empresas despejando merda e produtos químicos ininterruptamente.
O mesmo grupo aterrou o espelho d´água onde hoje é a entrada do loteamento Vivendas da Lagoa, mas a então recém-criada AMDA (Associação Macaense de Defesa Ambiental), em 1982, impediu que o empreendimento fosse adiante. Foi a primeira vitória da Ong que, algum tempo depois, também saiu vitoriosa na luta contra a monobóia da Petrobras.
Além disso, Rio das Ostras, que antes se orgulhava de não ser co-responsável pela degradação desse delicado corpo hídrico, criou a ZEN (Zona Especial de Negócios) para concorrer com loteamentos industriais nas imediações do Parque de Tubos e desmatou sem pudor a margem direita do Rio Imboassica, aumentando consideravelmente a contribuição de sedimentos, esgoto e produtos químicos para a já combalida lagoa.
Apesar de tudo, a Lagoa de Imboassica, seguramente, está entre as mais estudadas do país por pesquisadores de diversas especialidades, incluindo o Nupem/UFRJ, o IFF, a UFF e outras instituições acadêmicas de altíssimo nível. Não é por falta de pesquisas de elevada confiabilidade que a lagoa está morrendo. Tampouco esta criminosa omissão deve ser creditada à falta de recursos, mas sim, à total ausência de vontade política de Macaé, Rio das Ostras e do governo estadual, além, é claro, da atitude passiva do Comitê da Bacia Hidrográfica que até hoje não tomou providências mais drásticas, como por exemplo, ingressar com uma Ação Civil Pública no Ministério Público contra os atores responsáveis pela preservação da lagoa.
Enquanto nada acontece de positivo, discute-se o que causa maiores males à lagoa: a abertura da barra ou a manutenção do canal extravasor. A primeira, lógico, por ser muito mais impactante. Mas qualquer que seja a alternativa, os peixes continuarão morrendo, pois não há mal maior que a omissão potencializada pela irresponsabilidade.
A Lagoa de Imboassica merece coisa melhor do que esta bagunça geral e irrestrita (para não dizer algo mais contundente)!!!








