Escritora paulista é uma das personalidades literárias mais instigantes do Brasil;
A Feira Literária de Parati (FLIP-2018) homenageará a escritora Hilda Hilst. Grande escolha! Poeta, ficcionista e dramaturga – uma tríplice conjugação de forças criadoras que raramente germinam em um só espírito (é polígrafa), Hilda Hilst é das personalidades literárias mais completas e instigantes do Brasil, da metade do século XX para cá. É indubitavelmente uma maldita contemporânea!
Paulista, nascida sob o signo de Touro, iniciou sua carreira de escritora em 1950, pela poesia, com Presságio, quando ainda era estudante da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (onde se formou advogada, porém não exerceu a profissão).
Em 1967, reúne sua poesia mais significativa em Poesia(1957/1967) e adentra a área teatral, escrevendo A Possessa e O rato no muro, peças densamente dramáticas que abrem caminho a uma extraordinária produção dramatúrgica, que lhe confere, em 1969, com O Verdugo, o Prêmio Anchieta. Estreia na ficção em 1970 com o extraordinário Fluxofloema, que mereceu a atenção de Anatol Rosenfeld.
Sua prosa poética é única, pois na ânsia de fugir do “outro” acaba, ao mesmo tempo, se fundindo nele, escrevendo uma literatura muitas vezes caótica, multiforme e dialética, com linguagem absolutamente criadora e inédita.
Em 1977, vê seu Ficcões editado pela Quiron Editora, sob organização de Nely Novaes Coelho. Algumas teorias nos dão pistas para ler certos momentos da nossa ficção/realidade, nas obras de prosa poética de Hilda Hilst, desde seu Ficções (1977), que faz parte da coletânea Ficção Contemporânea, direção de Nelly Novaes Coelho, publicado pela Quiron (São Paulo), juntamente com outros títulos: Cidade Calabouço, de Rui Mourão; O Convidado, de Murilo Rubião; O Homem do Sambuqui, de Stella Carr; O Cordeiro da Casa, de Mora Fuentes e Afonso Henrique, Nome de Rei, de Hermann Reipert. Ganhou O Prêmio Jabuti duas vezes, um com Da Morte Odes Mínimas e outro com o sensacional Rútilo Nada, prosa de ficção.
Escolha acertadíssima da curadoria da FLIP. Estarei por ironia ou acerto do destino lançando nesta FLIP, meu TER SIDO ESTAR SENDO, A Prosa Poética de Hilda Hilst (CRV Editora, Curitiba) o que me coloca num grau de responsabilidade, enquanto crítico e estudioso da autora, que já ando acordando de madrugada para escrever e ando escrevendo aqui e ali quando saltam as ideias. Sim, as ideias! Que maravilha essa ideia de homenagear Hilst, que já está, hoje, traduzida no Inglês e no francês. À memória de tão instigante autora, essa FLIP 2018. Ficará seu canto, pois!








