Com a segunda maior massa salarial do país e ajustes nas contas públicas, cidade começa a sair da zona de turbulência, diz economista
Da redação
O município de Macaé-RJ tem as melhores condições estruturais entre as cidades do Norte Fluminense para superar a crise que afeta a Bacia de Campos. Seu dinamismo econômico associado à gestão municipal austera, “que soube enfrentar a retração econômica com os ajustes necessários”, será um dos elementos que proporcionará o fluxo de renda no mercado varejista e a retomada de vagas no mercado de trabalho.
A avaliação é do economista Ranulfo Vidigal em palestra realizada na Câmara de Vereadores da cidade, durante o evento Rio + Varejo promovido pela Associação Comercial e Industrial de Macaé (ACIM) na quinta-feira (7).
“Existem condições plenas de recuperação. O poder público municipal fez o dever de casa. A maior prova é a recente pesquisa de uma empresa de consultoria internacional (Urban System), que definiu Macaé como a 21ª cidade com melhor ambiente para investimentos no Brasil”, explicou.
NOVA DINÂMICA
Doutor em políticas públicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e articulista do Portal VIU!, também destacou que o município conseguiu interpretar a nova dinâmica do mercado petrolífero, que a busca pela redução de custos. O prefeito Dr. Aluízio, recentemente, liderou uma campanha pela desoneração na Bacia de Campos em troca da retomada da produção de petróleo nos poços maduros.
Para fazer um diagnóstico da economia local, o economista pesquisou a série histórica orçamento e investimentos do município entre os anos de 2007 e 2017, e a projeção do orçamento para 2018. A análise, portanto, abrange também os dois últimos do governo Riverton Mussi.
“No comparativo nesta série histórica é visível que o município neste momento de crise está priorizando o investimento público em duas áreas estratégicas: saúde e educação. São nesses dois setores que o valor real de investimento predomina nos últimos quatro anos”, disse.
BUSCA DE ALTERNATIVAS
O economista destaca que enquanto a maior parte das cidades entraram numa espiral de terra arrasada, mesmo com a perda de 40 mil vagas no mercado de trabalho e queda de arrecadação, Macaé manteve o seu poder de recuperação, como a segunda maior massa salarial do país, só perdendo para Brasília.
Vidigal, no entanto, alerta que a cidade precisar urgentemente buscar alternativas, porque apesar da sobrevida que a Bacia de Campos ganhou com recentes investimentos, esta matriz econômica tende a se esgotar de forma mais acelerada.
“Com os investimentos em energias renováveis, o consumo de petróleo tende a reduzir. O que se faz necessário neste momento é a intensificação de investimentos na indústria hoteleira e turística, atraindo diversificando o turismo de negócios com o turismo de entretenimento”, destaca. Além das peculiaridades locais e sua proximidade com a Região dos Lagos, Macaé também detém o grande potencial na Região Serrana.
EXPECTATIVAS PARA O VAREJO
As perspectivas para o varejo de Macaé no ano de 2018, na avaliação do economista, são mais animadoras. O município terá um orçamento estimado um pouco acima de R$ 2 bilhões. Boa parte desta renda vaza, porque uma fatia considerável de servidores do município é outras cidades.
Mas o comércio local se beneficia da população de cidades satélites que consomem em Macaé-RJ. Este é o caso, por exemplo, de Conceição de Macabu, Quissamã, Carapebus, Trajano de Moraes e Santa Maria Madalena. Vidigal frisa a importância de uma parte do orçamento público ser destinado as obras na construção civil, outro grande empregador no município.
*Agência VIU!








