O cagaço e o cangaço: a literatura popular brasileira e o coronel nordestino
O povo brasileiro nunca sabe, lato sensu, como as coisas se passam em seu território cheio de brasilidade, coronelismo, lendas e mistérios. Vive de cócoras pra sua brasilidade. Mas apeia, vez ou outra…
Na viagem que fiz a Aracaju (SE), pude constatar, como o POVO tem orgulho da sua literatura popular e como dá valor a ela. Visitando a barraca de cordel do Mercado Municipal, lugar onde os robalos e outros pescados saltam vivos vindo dos rios que desembocam no mar, pude constatar a alegria e o orgulho singelo do sergipano: Rio Sergipe, Rio Pochim e Vaza Barris, adentram o mar, parecendo sempre no cio das marés…
No Estado de Sergipe existem 08 (oito) Bacias Hidrográficas: bacias do Rio São Francisco, Rio Vaza Barris, Rio Real, Rio Japaratuba, Rio Sergipe, Rio Piauí, Grupo de Bacias Costeiras 1 (GC1) e Grupo de Bacias Costeiras 2 (GC2). Os rios São Francisco, Vaza Barris e Real são rios federais por que atravessam mais de um Estado. Enquanto os rios Japaratuba, Sergipe e Piauí são rios estaduais, pois suas bacias estão dentro do Estado de Sergipe. Oxum e Iemanjá são rainhas do pedaço lá, apesar de não parecer o lugar tão místico como Salvador.
No entanto, a terra que venera Lampião e Maria Bonita em seus cordéis encanta! Na culinária, na limpeza e na beleza natural que a circundam e que fazem dela uma princesa litorânea, de tamanha singeleza que dá o amor que dela dará sempre! Gente bonita e esbelta!
Comprei livrinhos de cordel autêntico, telúrico, de que muito me orgulho depois de os ler e ter a chance de lhes contar um pouco, subscrevendo-os:
LAMPIÃO – Herói ou Bandido?, de João Firmino Cabral (Tupynaquim Editora, 2009), é um best seller:
Todo o mundo já ouviu
Falar sobre Lampião,
O famoso cangaceiro
Corajoso e valentão
Que, na região Nordeste,
Assombrou todo o sertão
Escritores e portas,
Do Brasil ao estrangeiro,
Já escreveram e versaram
Livros desse cangaceiro,
Que conviveu no sertão
Do Nordeste brasileiro.
(…)
Virgolino é cantado, como bom vaqueiro, e também grande artesão, que fazia obras de couro, cinto, chapéu e gibão. E vendia o que fazia, diz o cordel nas feirinhas do sertão, terra de peba e tatu. Ao chamar o ouvinte/leitor para cantar o anti-herói, o cordelista famoso transgride e louva o terceiro filho homem de cinco “tudo disposto e valente”.
Eu acordo e vejo, na margem dos rios Poxim e Vaza Barris, aquele mar de cor única. Vislumbro o nordeste e me orgulho de ser também um artesão. De ser brasileiro. De gostar de Literatura Popular. De gostar das manifestações populares. De ser eu mesmo sobrevivente das letras, mas acolhido pelo povo nordestino, que canta em prosa e verso nossas proezas, seja em Pernambuco, Paraíba, Alagoas ou Sergipe, seja nas margens do Pajeú, na pequena Vila Bela, onde tem cabra que pega cascavel e come cru.
Virgolino, um bom vaqueiro,
Também um grande artesão,
Fazia obras de couro,
Cinto, chapéu e gibão,
Vendia o que produzia
Nas feirinhas do sertão.
Feliz ao ver a Literatura Popular sendo aula obrigatória nas escolas e Licenciaturas! O povo brasileiro, herói ou bandido? UM dia saberemos de todo o roteiro!








