O que se vê na cidade de Campos dos Goytacazes-RJ são confissões de crimes por parte de fornecedores da Prefeitura;
Da redação
As revelações que conduziram os ex-governadores do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho, à prisão preventiva passam longe das delações premiadas que estão atenuando a punição de criminosos no âmbito da Operação Lava Jato.
Na verdade são confissões de crimes que não aliviam em nada a situação de quem delatou.
Na cidade de Campos não existe advogado especializado em delação e tão pouco tem delação homologada. Na denúncia protocolada pelo Ministério Público contra os ex-governadores, o delator André Luiz da Silva Rodrigues, o Deka, é descrito como “colaborador”.
Ele diz que repassou dinheiro para as campanhas eleitorais do PR. Existem atos de ofício? Tem gravações ou qualquer elemento que possa comprovar? E o dinheiro, ele tem como comprovar a inversão deste capital na compra de imóveis ou objetos de valor?
O modelo de Sérgio Moro tem um modus operandi que se diferencia da justiça na terra do chuvisco. Lá o juiz manda prender o suspeito, o réu fica detido por tempo indefinido e daí oferece delação em troca de redução de pena ou para se livrar da cadeia. O Ministério Público avalia se aceita ou não. Em caso positivo, submete a justiça para homologar. É a modernização do pau-de-arara.
Em Campos dos Goytacazes, a coisa foi mais branda para o denunciante. Diz o MP que o delator leu a notícia no jornal sobre um episódio envolvendo um contrato da JBS e uma de suas empresas no Rio de Janeiro. O dinheiro depositado na conta da Ocean Link seria destinado a campanha de Anthony Garotinho por meio de caixa 2.
Pois bem: Mesmo no negócio pipocando no Rio de Janeiro, no âmbito da Lava Jato, ele procurou a “delegacia da Polícia Federal” em Campos dos Goytacazes, “por livre espontânea vontade” para prestar esclarecimentos. Outra pessoa mais bem informada teria procurada os Procuradores da Operação Lava Jato, no Rio. Diante da autoridade policial de Campos, falou do repasse da JBS e também aproveitou para falar de negócios de sua outra empresa, a Woking, com a Prefeitura. Relatou que ele, assim como outros fornecedores, teria repassado 10% do faturamento junto ao município para prepostos de Garotinho por meio de caixa 2. Seria esta a condição para que o empresariado continuasse trabalhando e recebendo. Os coitadinhos aceitaram tudo calado, durante oito anos. Só abriram o bico depois que Rosinha Garotinho deixou o governo. É o tipo de narrativa que está mais para um dramalhão mexicano do que para um conto. Ainda que tudo seja verdade (e pode ser que seja), corruptor não é vítima.
A rádio tamanco já espalha aos quatro cantos que o próximo alvo do grupo de Garotinho já está marcado. A turma estaria preparando um bote contra Wladimir Garotinho, filho do ex-governador.
*Agência VIU!








