Em nota Polícia Federal explica as acusações contra os dois ex-governadores do Rio;
Da redação
A Polícia Federal (PF) informou nesta quarta-feira (22), que as prisões do ex-governador do Rio, Anthony Garotinho e de sua mulher, a também ex-governadora Rosinha Garotinho, foram determinadas pelo Juízo Eleitoral de Campos dos Goytacazes, município do norte fluminense e reduto eleitoral dos dois políticos.
Os mandados foram expedidos pelo juiz Glaucenir de Oliveira, titular da 98ª Zona Eleitoral de Campos dos Goytacazes.
Em nota, a PF esclarece que eles são acusados da prática dos crimes de corrupção, concussão, participação em organização criminosa e falsidade na prestação das contas eleitorais.
A ação, desencadeada nesta quarta-feira (22) pela PF, teve o objetivo de cumprir nove mandados de prisão e dez de busca e apreensão. Um total de 50 agentes participa da ação realizada nos municípios do Rio de Janeiro e Campo dos Goytacazes, no estado do Rio, e em São Paulo.
De acordo com a nota, a Polícia Federal e o Ministério Público Estadual identificaram elementos que comprovam que a empresa JBS firmou contrato fraudulento com a empresa Ocean Link, sediada no município de Macaé, também no estado do Rio, para a prestação de serviços na área de informática.
O esquema, segundo o MP, funcionou durante quatro anos, nas eleições de 2010, 2012, 2014 e 2016. A conexão com a JBS foi revelada pelo executivo Ricardo Saud e por outro delator, o empresário André Luiz da Silva Rodrigues, o Deka. Ele é sócio da Ocean Link, empresa que assinou um contrato de fechada com a JBS, mecanismo encontrado pelo grupo para que o dinheiro chegasse à campanha de Garotinho. Rodrigues, dono de outra empresa (Working) que mantinha contratos com a Prefeitura de Campos, então comandada por Rosinha, narrou que foi avisado do depósito pelo policial civil aposentado Antônio Carlos Ribeiro da Silva, conhecido como Toninho – ele é apontado como um dos operadores financeiros de Garotinho.
“Suspeita-se que os serviços não eram efetivamente prestados e que o contrato, no valor de aproximadamente R$ 3 milhões, era apenas [fachada] para o repasse irregular de valores para utilização em campanhas eleitorais”, diz a nota.
A PF também tinha informações de que o ex-governador cobrava propina nas licitações da prefeitura de Campos, “exigindo pagamento para que os contratos fossem honrados pelo Poder Público do município”.
Na nota, é anunciada ainda a prisão de um ex-secretário municipal no governo Rosinha, cujo nome não foi divulgado, mas que a reportagem do Portal VIU! confirmou tratar-se do ex-secretário de Controle Interno, Suledil Bernardino. Também foi preso o ex-subsecretário de governo, Thiago Godoy.
De acordo com a PF, após os procedimentos de praxe, os envolvidos serão encaminhados ao sistema prisional do estado, onde permanecerão à disposição da Justiça.
NOTA OFICIAL DE GAROTINHO
Querem calar o Garotinho mais uma vez
O ex-governador Anthony Garotinho atribui a operação de hoje a mais um capítulo da perseguição que vem sofrendo desde que denunciou o esquema do governo Cabral na Assembleia Legislativa e as irregularidades praticadas pelo desembargador Luiz Zveiter.O ex-governador afirma que tanto isso é verdade que quem assina o seu pedido de prisão é o juiz Glaucenir de Oliveira, o mesmo que decretou a primeira prisão de Garotinho, no ano passado, logo após ele ter denunciado Zveiter à Procuradoria Geral da República.
Garotinho afirma ainda que nem ele nem nenhum dos acusados cometeu crime algum e, conforme disse ontem no seu programa de rádio, foi alertado por um agente penitenciário a respeito de uma reunião entre Sergio Cabral e Jorge Picciani, durante a primeira prisão do deputado em Benfica. Na ocasião, o presidente da Alerj teria afirmado que iria dar um tiro na cara de Garotinho.
Agora, a ordem de prisão do juiz Glaucenir é para que Garotinho vá com sua esposa para Benfica, justamente onde estão os presos da Lava Jato.
Cabe frisar que essa a operação à qual Garotinho e Rosinha respondem não tem relação alguma com a Lava Jato.
*Agência VIU!








