Uma disputa entre apoiadores da família Bolsonaro e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ganhou novos contornos após denúncias de supostas ofertas de dinheiro para atacar perfis políticos nas redes sociais.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, integrantes de grupos bolsonaristas afirmaram ter recebido propostas financeiras para publicar ataques contra usuários ligados a diferentes lideranças do próprio Partido Liberal.
Os relatos surgiram em meio às divergências entre Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira, intensificadas durante a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro em 2026. Até o momento, não há comprovação pública de que a direção do PL tenha autorizado ou financiado os supostos pagamentos.
Relatos citam R$ 100 por perfil atacado
Um dos episódios mencionados ocorreu em 25 de agosto, durante uma transmissão nas redes sociais conhecida como Space Arena. A conversa, conduzida por um usuário identificado como Rafael Cavalcanti, reuniu 58 participantes.
Durante a transmissão, integrantes de grupos bolsonaristas relataram propostas de pagamento para atingir contas específicas nas plataformas digitais.
De acordo com as mensagens citadas pela Folha, uma lista com aproximadamente 50 perfis teria sido apresentada como alvo da ação. O valor oferecido seria de R$ 100 por nome.
Um dos participantes afirmou ter recebido a proposta, mas declarou que recusou o pagamento.
A reportagem identificou a existência de perfis responsáveis pelos relatos, incluindo contas com atividade desde 2021. Essa verificação, porém, não confirma a origem dos recursos nem quem teria organizado a iniciativa.
Divergências entre Eduardo e Nikolas ampliaram tensão
Os supostos ataques teriam como principais alvos apoiadores do deputado Nikolas Ferreira.
O parlamentar mineiro e Eduardo Bolsonaro protagonizaram divergências públicas durante a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Eduardo criticou o que considerava falta de envolvimento de Nikolas na mobilização eleitoral em favor do irmão.
Nikolas, por sua vez, defendeu que sua atuação deveria priorizar a oposição ao governo Lula, em vez de alimentar conflitos entre integrantes do mesmo campo político. A troca de críticas provocou reações entre apoiadores das duas lideranças e expôs diferenças de estratégia dentro do bolsonarismo.
Eduardo Bolsonaro nega conhecer suposta operação
Nas conversas relatadas pela Folha, um participante associou parte das supostas orientações a Eduardo Bolsonaro. Procurado pela reportagem, diretamente e por intermédio de Paulo Figueiredo, Eduardo negou ter conhecimento do episódio.
Não foram apresentados elementos conclusivos que demonstrem sua participação na elaboração de listas, na contratação de usuários ou no financiamento de ataques virtuais. A acusação feita por um participante, isoladamente, não estabelece responsabilidade pelo caso.
Conversas mencionam bloqueios e uso de bots
Além das propostas de pagamento, os relatos incluem possíveis orientações para bloquear contas, silenciar usuários e utilizar ferramentas automatizadas nas redes sociais.
Os chamados bots podem ampliar a circulação de publicações e interferir na visibilidade de determinados assuntos. A utilização de automação, por si só, não comprova irregularidade. Uma eventual infração dependeria da forma de utilização, da finalidade e das regras aplicáveis.
No episódio divulgado, a suspeita é de uma tentativa coordenada de atingir adversários internos por meio de ataques digitais. Ainda não há confirmação de pagamentos efetivamente realizados ou de uma estrutura organizada para financiar essas ações.
PL e campanha de Flávio não se manifestaram
Segundo a Folha, integrantes ligados ao PT também acompanharam as denúncias durante o monitoramento de movimentações políticas nas plataformas digitais.
O Partido Liberal e a campanha de Flávio Bolsonaro foram procurados pelo jornal, mas não haviam apresentado resposta até a publicação da reportagem. Permanecem sem esclarecimento a autoria da suposta lista de alvos, a origem do dinheiro mencionado e a existência de pagamentos.
Embora os relatos tenham provocado repercussão política, ainda não é possível afirmar que tenha existido uma operação financiada por dirigentes partidários.
O episódio acrescenta um novo elemento às divergências entre grupos bolsonaristas, enquanto as acusações seguem sem comprovação conclusiva.
*Da Agência Fonte Exclusiva







