O preço do gás natural na Europa ultrapassou a marca de 100 euros por megawatt-hora (MWh), atingindo o maior patamar desde a crise energética de 2022. A valorização ocorre em meio às tensões no Oriente Médio, às dificuldades no abastecimento internacional e à preocupação com a chegada do inverno no Hemisfério Norte.
Nesta sexta-feira (30), o contrato de referência negociado no mercado holandês TTF chegou a aproximadamente 101,82 euros por MWh nas primeiras horas de negociação, com alta de cerca de 4%. O movimento reforça a pressão sobre os custos de energia para consumidores, empresas e indústrias europeias.
O aumento também reflete o receio de novas interrupções nas exportações de gás natural liquefeito (GNL), especialmente de países do Golfo Pérsico, importantes fornecedores do mercado internacional.
Conflitos no Oriente Médio pressionam o mercado de gás
A instabilidade geopolítica tem afetado diretamente o comércio internacional de energia. As restrições ao transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o escoamento de petróleo e gás, reduziram a disponibilidade de cargas de GNL.
O Catar, um dos principais exportadores mundiais, enfrenta dificuldades para manter seus fornecimentos regulares. Com menos gás disponível, compradores europeus e asiáticos passaram a disputar volumes adicionais no mercado internacional.
Essa concorrência contribui para elevar os preços e amplia a preocupação com a segurança energética da Europa, que depende de importações para atender parte expressiva de sua demanda.
Além dos problemas no Oriente Médio, interrupções não programadas na produção da Noruega também aumentaram as preocupações com a oferta de gás.
Reservas de gás estão abaixo da média histórica
Outro fator de preocupação é o nível dos estoques europeus. Segundo dados da Agência da União Europeia para a Cooperação dos Reguladores da Energia (ACER), os reservatórios do bloco estavam com aproximadamente 75% da capacidade preenchida em 21 de outubro.
Em 29 de outubro, o nível estava próximo de 74,9%, abaixo da média de aproximadamente 86% registrada nos últimos cinco anos para o mesmo período.
A diferença é significativa porque a Europa se aproxima da estação mais fria do ano, quando aumenta o consumo de gás para aquecimento de residências, funcionamento de indústrias e geração de eletricidade.
Com temperaturas mais baixas, os países precisam retirar parte do combustível armazenado. Caso o inverno seja rigoroso e as importações continuem limitadas, os estoques poderão diminuir mais rapidamente.
Europa enfrenta risco de nova crise energética
A atual valorização reacende preocupações semelhantes às registradas em 2022, quando a redução do fornecimento de gás russo provocou uma forte crise energética no continente.
Desde então, os países europeus passaram a diversificar seus fornecedores, ampliando principalmente as importações de gás natural liquefeito.
Entretanto, essa estratégia também aumentou a exposição às oscilações do mercado internacional.
De acordo com a ACER, o gás natural liquefeito dos Estados Unidos já representa cerca de 30% do abastecimento total de gás da União Europeia. A agência estima ainda que os conflitos no Oriente Médio tenham acrescentado entre 18 bilhões e 33 bilhões de euros à conta de importação de gás do bloco em 2026.
Aumento pode atingir contas de energia e preços de produtos
A elevação do preço do gás natural não afeta apenas o setor energético. O combustível é utilizado em processos industriais, na produção de fertilizantes, no aquecimento de imóveis e em usinas de geração de eletricidade.
Quando o custo aumenta, parte dessa despesa pode ser repassada aos consumidores, pressionando os preços de produtos e serviços.
Indústrias que dependem de grandes quantidades de energia estão entre as mais vulneráveis, especialmente em setores como química, siderurgia e fabricação de materiais de construção.
O impacto final sobre as famílias dependerá dos contratos de fornecimento, das políticas energéticas de cada país e da duração da alta.
O que esperar dos preços nos próximos meses?
O comportamento do mercado dependerá principalmente da intensidade do inverno europeu, da evolução dos conflitos no Oriente Médio e da capacidade de recomposição do abastecimento internacional.
Uma normalização das exportações de gás poderia reduzir a pressão sobre as cotações. Por outro lado, novas interrupções no fornecimento, associadas a temperaturas muito baixas, poderão provocar outras elevações.
A União Europeia entra, portanto, em um período decisivo para sua segurança energética, com o desafio de garantir o abastecimento e evitar que o aumento dos custos comprometa a atividade econômica e o orçamento das famílias.
*Da Agência Fonte Exclusiva





