Bonecas que respondem a perguntas, bichos de pelúcia que contam histórias e brinquedos capazes de reconhecer o nome das crianças estão ganhando espaço no mercado infantil. Apesar das possibilidades de interação, esses equipamentos também despertam preocupação entre especialistas.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) alerta que brinquedos com inteligência artificial (IA) devem ser utilizados com acompanhamento dos responsáveis, especialmente durante os primeiros anos de vida.
Diferentemente dos modelos tradicionais, alguns dispositivos conseguem manter conversas, memorizar informações e adaptar respostas conforme as preferências da criança.
Pediatras alertam para vínculos emocionais
O médico Eduardo Cordioli, presidente do Grupo de Trabalho Pediatria IA da Sociedade Paulista de Pediatria, explica que respostas personalizadas podem tornar esses brinquedos especialmente atraentes.
Ao chamar a criança pelo nome, fazer elogios e responder imediatamente, o dispositivo pode estimular interações frequentes e favorecer a criação de vínculos afetivos.
A preocupação é que o uso excessivo reduza o interesse por brincadeiras e relações com familiares e outras crianças.
Os especialistas também destacam que respostas prontas e histórias produzidas automaticamente podem diminuir as oportunidades de desenvolver a imaginação e a criatividade.
Brinquedos podem coletar informações pessoais
Outro risco envolve a privacidade. Alguns brinquedos inteligentes possuem microfones, câmeras e conexão com a internet, permitindo a coleta de informações como voz, nome, preferências e conversas.
Por isso, os responsáveis devem verificar as políticas de privacidade, os dados armazenados e as opções de segurança oferecidas pelo fabricante.
Também é importante conferir a faixa etária recomendada e acompanhar o conteúdo das interações.
Como proteger as crianças?
A orientação é estabelecer limites de uso e priorizar atividades que estimulem a criatividade, o movimento e a convivência.
Brincadeiras tradicionais, leitura, atividades ao ar livre e momentos em família continuam sendo fundamentais para o desenvolvimento emocional, social e cognitivo.
Os pais também devem observar se a criança apresenta dificuldade para interromper o uso ou demonstra preferência constante pelo dispositivo em relação a outras atividades.
Tecnologia deve ser complemento, não substituição
A inteligência artificial pode oferecer novas possibilidades de aprendizado e entretenimento, mas não deve substituir a convivência humana.
Para os especialistas, o principal cuidado é garantir que a tecnologia seja utilizada de maneira equilibrada, sem ocupar o espaço das relações afetivas e das experiências essenciais à infância.
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